Ida ao dentista

19 Mai , 2019  

Dentistas mais novos que nós! Há anos ia aos médicos e eram pessoas mais velhas.. agora eles ficaram mais novos. Aparecem sorridentes e condescendentes com ‘a senhora’ ( sou eu). Antes, isto há uns 2 ou 3 anos, era ‘a menina’ .. há uns anos em Cape Town fui ao dentista. Eu era ainda ‘menina’, como expliquei, e o dentista um senhor mais-velho. Fiz uma fita com medo ( hoje ainda faço, apesar de ser ‘senhora ‘). O meu medo obrigou a uma ronda de negociações.. estava difícil. Mas o mais-velho às tantas disse ‘se estiver quieta e me deixar trabalhar vai ver que não dói! E se assim for para recompensa danço um tango consigo por todo o Consultório’ . Aceitei, convencida que ia doer . Até porque não sei dançar tango. Salto para o final da história – todo o tratamento ouvindo Piazzolla com som bem alto e o médico cantava… no final dancámos como plumas pelos inúmeros consultórios e corredor!
Hoje vou aos dentistas já-jovens. A semana passada perguntei-lhe ‘o Dr dança tango? Importava-se de dançar comigo?’ . Disse-me que ‘esse serviço não tinha ‘. Pedi mais anestesia e que passassem desenhos animados no écran… hoje volto lá!! Pode ser que entretanto tenha percebido a importância do tango para ‘senhoras da minha idade’ … ou que leia este post !

 

P.S Apesar da falha imperdoável de não dançar tango… recomendo sem hesitar. Para além de ser uma simpatia, trata mesmo sem dor. Dr João Vinagre, no IRO em Lisboa.  Toda a equipa é 5 estrelas. Das receptionistas, às assistentes, aos médicos.

http://www.iro.pt

Afrobarómetro chega a Angola

19 Mai , 2019  

, ,

e749ebb8-c15b-4988-aae6-eb9efb5ee107

Angola. O prazer de ajudar a ver nascer projectos de jovens angolanos. São 4. Estudaram. Cresceram. Não são filhos de A ou B . São 4 jovens angolanos que acreditam e estão empenhados com a Sua Angola. E hoje souberam que ganharam o concurso para serem os parceiros nacionais do Afrobarometro. Eu apareço pomposamente como ‘consultora sênior internacional’ do projecto, mas apenas tenho o privilégio de usufruir e de ser contagiada pelo seu optimismo e confiança no futuro. Um luxo nos dias de hoje. Num mundo cada vez mais dos impossíveis, que sem dinheiro não se faz, que sem apelido não se vai lá … afinal é possível!
Como dizia Mandela tudo parece impossível até ser feito. Ou como dizia o outro presidente ‘yes they can’ ( sim ele dizia we ) 😉 e é verdade , we can e they can!

Nota de imprensa :

O que pensam os angolanos da Democracia? Os angolanos confiam mais na polícia? Nos sobas? Na Assembleia Nacional ou no Presidente da República?
Estas e outras perguntas vão começar a ter respostas estatisticamente validadas. E será possível comparar-se os resultados com os restantes países africanos. Pois, pela primeira vez Angola integra o maior e mais prestigiado consórcio de estudos de opinião pública em África, liderado pelo Afrobarómetro (www.afrobarometer.org).
O AFROBARÓMETRO é uma organização não governamental, fundada em 1999, no Gana, responsável pela realização de estudos de opinião sobre democracia e boa governação em mais de 35 países africanos cujos dados são usados por organizações como a fundação Mo Ibraim no desenvolvimento do seu trabalho sobre boa governação em África.
etro (www.afrobarometer.org).
O Afrobarómetro identifica em cada país um parceiro através de concurso. Desta vez, o Afrobarómetro considerou que Angola já cumpria os critérios para ser parceiro, tendo em conta a abertura política que se regista, o que favorece maior liberdade de expressão aos cidadãos.
Quatro jovens académicos angolanos agarraram o desafio e constituíram a empresa OVILONGWA CONSULTING. Os mesmos demonstraram ter a experiência necessária na recolha e análise de dados estatísticos. Carlos Pacatolo, politólogo, David Boio, sociólogo, Avelino Kiampuku, economista, José Pedro, politólogo serão assim o rosto deste consórcio internacional em Angola. A empresa conta também com a colaboração de dois consultores seniores internacionais, com elevada experiência, em política africana e em estudos de opinião pública, como Elisabete Azevedo-Harman, politóloga, e João António, Psicólogo Social.
A primeira ronda (pesquisa de opinião) em Angola deverá acontecer ainda este ano e em todas as províncias do país, com entrevistas presenciais em língua portuguesa e em línguas nacionais, respeitando os critérios do Afrobarómetro.
Será uma oportunidade para jovens estudantes e não só, participarem como inquiridores e absorverem experiência nas ferramentas utilizadas e do processo em si. Mas é sobretudo uma oportunidade para se conhecer o que pensam os angolanos e não o que pensamos que os angolanos pensam.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/projecto-pan-africano-faz-estudos-em-angola

Guterres, de PM de Portugal a PM do Mundo

19 Mai , 2019  

, ,

Artigo meu publicado em co-autoria com Cristina Peres. Jornal Expresso, Portugal, Maio 2019 ( como o texto publicado é só para assinantes, deixo um dos draft e não a última versão publicada)

António Manuel de Oliveira Guterres, cidadão português, foi eleito a 13 de outubro de 2016, pela Assembleia Geral das Nações Unidas. para exercer o mais alto cargo do Governo Mundial, ou seja, Secretário-Geral das Nações Unidas.  O ex-primeiro-ministro português passou assim a ser o 9º Secretário-Geral da organização criada em 1945 após a Segunda Guerra mundial para que a paz prosperasse no mundo e não a guerra.

 

O milagre dos Twitters de Trump – a vitória da diplomacia Guterrina

A 13de outubro de 2016,quando a Assembleia Geral da ONU elegeu,por aclamação,o português,António Guterres para seu Secretário geral, o inquilino da Casa Branca era o PresidenteObama.  A eleição do novo presidente dos Estados Unidos seria 4 semanas depois. Como sabemos, na corrida eleitoral estava Donald Trump. Um republicano céptico sobre essa coisa das organizações multilaterais.  Contra amaioria das sondagens, a 8 de novembro, os americanos elegeram Trump.  O novo Presidente iria nos habituar desde do início aos seus twitters intempestivos e quase sempre polêmicos. Um dos seus primeiros Twiiters foi dirigido às Nações Unidas, deixando claro a sua ideia negativa sobre a organização e como na sua opinião era uma organização inútil – ‘que as nações unidas é clube onde as pessoas se juntam para falar”e ameaçava que mal tomasse posse ‘as coisas iriam mudar’.  O pior pesadelo para um novo Secretário-Geral da organização. Os Estados Unidos são o maior contribuinte financeiro da organização e tem o poder de influência em muitos votos na Assembleia Geral.  Mas Guterres iria conseguir um milagre ao fazer do inimigo Trump um apoiante da sua gestão. Na verdade, a mudança, apesar de Guterres ser um conhecido socialista e católico, não foi resultado de um ‘milagre’, mas sim de uma diplomacia Guterrina inteligente e sábia.   Guterres consegue o inimaginável dois anos antes. Há um ano, em maio de 2018, o Twitter emitido do telefone de Trump era de elogio às Nações Unidas ‘Se as Nações Unidas trabalharem bem os Estados Unidos poupam dinheiro’ , Trump aparece sorridente ao lado de Guterres e elogia o Secretário-Geral dizendo que Guterres está a fazer um excelente trabalho e que através dele ‘UN Will be great again’.

Guterres parece ter aplicado em Trump a receita   ‘solidariedade egoísta’ que usava nos seus discursos quando presidia a Internacional Socialista, com a qual explicava que nem todos temos que ser solidários por bondade espontânea, mas todos temos interesse em ser solidário por interesse próprio – ou seja, se os outros estiverem mal acabam por afetar o meu bem-estar.

Reformar – o verbo permanente das Nações Unidas desde 1946

As nações Unidas foram estabelecidas em 1945, e logo em 1946, a organização inicia a primeira reforma. Desde daí várias reformas foram tentadas, algumas implementadas. Quando falamos em reformas das Nações Unidas convém separar a reforma política da reforma administrativa e de gestão.

A reforma política

Na área política o Conselho de Segurança é o calcanhar de Aquiles da organização. A herança da vitória dos Aliados na II guerra Mundial, pesa ainda na estrutura dos 5 membros permanentes com poder de veto. A Alemanha e o Japão, derrotados em 1945, exigem agora integrar o Conselho com estatuto permanente. Os Ministérios dos Negócios estrangeiros dos dois países dedicam uma página a explicar por que que devem ser incluídos. O Japão é segundo maior contribuinte para as Nações Unidas, contribuindo com 20% do orçamento da organização, apenas de 2% menos que os Estados Unidos. E a Alemanha é o quarto maior. Ambos os países contestam a sua entrada. Geograficamente também vários países pedem maior equilíbrio. E a Índia, o segundo país no mundo com mais população e a maior democracia mundial, junta-se ao clube dos países contestatários da actual composição do Conselho de Segurança.

Qual a dificuldade em reformar? Reformar o Conselho de Segurança exige o voto de 2/3 da Assembleia Geral, mas qualquer reforma, não pode ter o veto de nenhum dos 5 países permanentes. E abdicar voluntariamente do poder, como sabemos, não é fácil. O Secretário-Geral nesta reforma tem apenas o poder de alguma magistratura de influência, mas muito, muito reduzida. Seja qual for o Secretário-Geral.

 

A reforma da gestão e funcionamento – transformar a cacofonia em sinfonia

 

As Nações Unidas eram uma “cacofonia” a escolha da palavra não é nossa, quem o disse, foi a nigeriana Amina Mohammed, Vice-Secretária Geral da ONU. A número 2 da ONU discursava sobre a importância da reforma e sem rodeios desabafou “o que eu dizia é que, das vezes passadas, tivemos dirigentes que, mesmo sem culpa, conduziam uma cacofonia – a mão esquerda não sabe o que a mão direita está fazendo. Hoje temos a oportunidade de fazer uma sinfonia…”

 

Mohammed referia-se sobretudo ao funcionamento das Nações Unidas dentro dos países, com as múltiplas agencias e Fundos, a trabalharem sem uma real coordenação no país.  Com mais de 15 agencias e outros tantos Fundos.

 

O pacote de reformas da gestão da ONU foi apresentado por Guterres em 2018 à Assembleia Geral e recebeu o aval da maioria dos países membros.

 

As mudanças já começaram a ser implementadas, uma delas é a mudança do papel dos 129 Coordenadores Residentes responsáveis pela atuação das Nações Unidas em 165 países. Na verdade, a reforma é que passam a ser responsáveis pela atuação de todas as Nações Unidas, e não meros ‘representantes’ do sistema das Nações Unidas. As várias agencias, como UNICEF, PNUD, OMS, passam a responder ao Coordenador residente, mantendo, no entanto, também a resposta à hierarquia da sua agência. A ideia é que a atuação das Nações Unidas para os ODS ( Ob Desenvolvimento Sustentável) sejam o centro de todo o funcionamento, de forma mais articulada e transparente. Os Coordenadores residentes deixam de acumular com a função de gestor das agencias PNUD nos países. Sem ligação a qualquer agência, pretende-se que passem a ter um papel igual em todas as entidades Nações Unidas nos países.

 

Equipas nos países mais assertivas e focadas nos conteúdos.

https://expresso.pt/internacional/2019-05-11-Guterres-de-PM-de-Portugal-a-PM-do-mundo#gs.ccbig2

 

 

 

Guia Prático da Assembleia Nacional de Angola

24 Jul , 2018  

, , ,

Tive o prazer de integrar a equipa de redacção do Guia Prático da Assembleia Nacional de Angola, publicado para a IV Legislatura ( 2017-22).

Pode descarregar o guia aqui.

 

Congo – ” Esta é a história de um fracasso”

20 Jun , 2018  

Artigo publicado no jornal angolano ‘Novo Jornal’

 

Congo – “Esta é a história de um fracasso”

“Esta é a história de um fracasso” foi como Che Guevara iniciou as páginas do seu diário sobre a sua missão junto da guerrilha na República Democrática do Congo. “Uma guerrilha pessimista e perdida por causa do dinheiro, da bebida e do luxo, descrevia um Che, em 1964, desesperado e desanimado, nas cartas que enviava a Fidel Castro.

Infelizmente, a mesma frase pode ser usada para toda a história congolesa. O país não teve ainda momentos de felicidade ou de glória. Dos três presidentes que o país já teve,  dois foram assassinados e um morreu no exílio. Se a morte não tem sido simpática para os presidentes, para o povo é a vida que o não tem sido. O país está nos últimos lugares do índice de desenvolvimento humano – 77% dos 80 milhões de congoleses vive abaixo da linha de pobreza do Banco Mundial. Cerca de 37 milhões não tem acesso a água potável, um número especialmente preocupante devido aos casos de ébola. A população jovem, com menos de 25 anos, representa 60% do total. No entanto, os jovens congoleses, ao contrário da maioria do mundo, quase não têm acesso a um bem essencial do seculo XXI – a Internet só chega a 4% da população. Viajar entre províncias é quase impossível devido à inexistência de estradas, uma política que acabou por ser uma estratégia para dificultar a chegada das forças inimigas à capital. O gigante país tem, por isso, pouco mais de 2000 quilómetros de estrada pavimentada.

O fracasso da política e do desenvolvimento do Congo foi por vezes negado ou falseado no jogo da diplomacia internacional.

Foi assim na governação de Mobutu apresentada, durante anos, no Ocidente como um sucesso. Não era o caso, claro. Mas vivia-se a Guerra Fria e o mundo Ocidental precisava de um líder africano como seu amigo. Mobutu desfilava em visitas oficiais junto dos presidentes dos Estados Unidos e de países europeus. Mobutu era apresentado por Mitterrand, por Bush, pela Thatcher, por Mário Soares, como ‘Mon ami President’. A falta da liberdade, de democracia e as mortes e perseguições eram convenientemente esquecidas nos elogios ao grande líder africano.

A Guerra Fria terminou e a guerrilha venceu as forças Mobutu. O mundo e as alianças realinhavam-se. Em 1996, Laurent Kabila, apoiado pelos países da região, assumiu a presidência e o velho Mobutu morreu no exílio. Kabila foi assassinado em 2001 pela sua própria guarda. Dias antes teria assistido ao fuzilamento de 47 das suas crianças soldado. Eram as suas próprias crianças-soldado os seus maiores inimigos, facto negado por ele próprio por se achar a figura pai destes militares de palmo e meio.

Chegámos, assim, ao segundo momento em que o mundo precisava e queria à força que fosse um momento de sucesso da história congolesa: eram as primeiras verdadeiras eleições em 46 anos. Estávamos em 2006 e eu integrava a larga equipa de observação eleitoral das Nações Unidas/UE. Havia um entusiasmo geral, apesar do risco de violência no leste do país devido à presença de guerrilhas e grupos armados.  O mapa na sala de logística da nossa missão dividia por cores os locais de risco e não-risco de violência, os pontos vermelhos de símbolo de alto risco quase que ganhavam aos sem-riscou ou reduzido.

Estas eleições tinham de ser de sucesso. A diplomacia regional e internacional precisava deste caso de sucesso. Existia a esperança de ser um novo começo. E foi um sucesso tendo em conta a história e as condições do país. Todo o país votou. Não houve incidentes maiores. Houve só um acidente, numa única aldeia, insignificante tendo em conta a dimensão do país. Só nessa aldeia não se votou, pois a população destruiu todos os locais de voto. A polícia congolesa respondeu com tiros aos paus e às catanas. A equipa da ONU (eramos três) ficou mais de 24 horas cercada pelo combate entre a polícia e a população. Mas, como foi repetidamente explicado, foi só uma aldeia e Kinshasa nem este incidente queria revelar. Havia muitas centenas de feridos, mas mortos seriam ‘apenas’ um ou dois. Continuava a ser mais importante não prejudicar a versão do sucesso. Soube depois, já em Kinshasa, que, estava eu ainda sob os tiros, já a Eurodeputada Ana Gomes dizia, na capital do Congo, que estava tudo controlado e que a observadora portuguesa (eu) estava bem. Era sintoma da obsessão dos vários autores em ter uma história de sucesso e a errada teimosia em dividir os actores políticos entre bons e maus.

As eleições davam a vitória a Joseph Kabila, mas Bemba contestava os resultados.

Ainda com as nódoas negras dos tais incidentes rotulados oficialmente de não-importantes, testemunhei na capital a crescente tensão e receio de violência com o anúncio dos resultados. Sabia-se que apoiantes de Bemba começavam a organizar-se pelos bairros da cidade. Temiam-se confrontos. Foram horas e dias de tensão crescente e de incerteza. Felizmente não houve violência. O sucesso podia ser celebrado. Faltou dizer que o sucesso da eleição foi a violência ter sido controlada e isso foi graças ao candidato derrotado. Bemba não só não incitou a violência como apelou à calma. É este mesmo Bemba que, após 10 anos, volta ao país e que, à partida, poderá ser candidato.

Apesar dos consecutivos adiamentos das eleições, espera-se que se realizem ainda este ano.  A seis meses das eleições não se sabe ainda se Kabila irá insistir em ser candidato e se Bemba poderá ser candidato.  Temos por isso em aberto três cenários possíveis de combinaçao: Os dois candidatos serem candidatos ou dos dois apenas um deles ser candidato.  Se Bemba for candidato e se pretender reconstruir o país deverá congregar e negociar com outras das forças da oposição. De recordar que os partidos no Congo não são como em Angola, não há partidos fortes nem no governo nem na oposição. Fruto da história do país a política faz-se sobretudo à volta de um mão cheia de indivíduos com capacidade de uso da ‘força’. Até agora em toda a história do país ganharam as armas, nunca as ideias. Esta próxima eleição será ainda nesta premissa. Se acontecer sem violência será já um sucesso, mas não se exagere na celebração do sucesso e no rotular do vencedor como o salvador.  Não será santo, será apenas momentaneamente menos diabo que os outros.

Para já, Kabila parece cada vez mais impopular e os países vizinhos, mesmo os que eram seus amigos, dão sinais de que a paciência terminou. Nada de novo. A história congolesa ensina que os presidentes não são eternos e que as suas amizades internacionais rapidamente viram as costas ao primeiro vento contrário.

O jogo político para as próximas eleições já começou e nesta fase vence a oposição e a Igreja, perde Kabila. O xeque-mate ocorreu em 2016 com a vaga de manifestações contra Kabila. Foram dias de violência descontrolada. Os vencedores perderam dezenas de apoiantes que morreram nos confrontos, mas Kabila recuava na tentativa de fazer a mudança constitucional. O rumor da vontade de Kabila em  mudar a  constituicão para concorrer a mais um mandato existe até hoje, mas é mesmo por isso que é uma derrota, são dois anos em que não conseguiu passar de um rumor. Pode ser que a história do país fracassado tenha começado a mudar com esta pequena vitória.

 

Elisabete Azevedo-Harman, Politóloga e membro da equipa de observação eleitoral da ONU/UE às eleições da DRC em 2006

 

http://www.novojornal.co.ao/opiniao/interior/congo—esta-e-a-historia-de-um-fracasso-55639.html

 

Código de ética parlamentar da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau

11 Mai , 2018  

,

Tive o prazer e o privilégio de ser uma das autoras do primeiro manual de ética parlamentar elaborado nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. A Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau (ANP) com o Pro PALOP TL ISC lançou o “Manual Ética e conduta parlamentar com N’tori Palan”. O Manual recorre às personagens históricas de banda desenhada guineense para falar de ética parlamentar. O Manual está redigido em língua portuguesa e em crioulo.
O fortalecimento da democracia e a aproximação do parlamento aos cidadãos são os objetivos do Manual de Ética Parlamentar, que se destina não só aos parlamentares e funcionários parlamentares, mas também a toda a sociedade guineense.

A elaboração do Manual resulta do trabalho conjunto da Assembleia Nacional, da equipa do Pro PALOP TL ISC e de artistas guineenses, e contou também, com o contributo de parlamentares, com especial participação das mulheres parlamentares.

More…

Locais de repressão da ditadura portuguesa

30 Abr , 2017  

Os locais ( prisões, campos, sedes da PIDE) onde o regime não democrático que vigorou em Portugal reprimia e torturava. Existiam tanto em Portugal como nas ‘províncias ultramarinas/colónias’. Dói-me muito que estes locais não sejam preservados e usados como lição de memória.
Em Cabo Verde o campo de concentração do Tarrafal, em Mocambique a ‘Vila Algarve’ sede da PIDE, e em Angola – prisão São Nicolau onde se prendia o pai/mãe e toda a família ! Existem Ainda hoje as crianças de São Nicolau que cresceram na prisão ao lado dos pais e testemunharem a humilhação que o pai/mãe passavam ( uma dessas crianças é um jornalista angolano por quem tenho a maior admiração, Ismael Mateus. já pedi ao Ismael para nos escrever a sua experiência. Não o faz. Nem imagino o que deve doer e por isso insisto, mas não insisto. Hesito. ) Passaram por estes locais portugueses, guineenses , angolanos, moçambicanos… devemos ter vergonha de não respeitar a memória destas vítimas. A estória de cada vítima é também a nossa história. Triste e sem honra, mas é a nossa história. A honra do povo vê-se pela coragem de contar toda a história e não só os momentos dos heróis, os carrascos fazem também parte dessa história.

Preço de sorrir nos hotéis de luanda

30 Abr , 2017   Video

,

Descobri que sorrir parece ser um problema nos hotéis. Entro na sala do pequeno-almoço e passo pelo ritual de dizer o número do quarto. O senhor que me pergunta é o mesmo há muitos dias..eu sou a mesma exactamente na mesma quantidade de dias e todos esses dias tenho que dizer e muitas vezes repetir o número quarto que é o mesmo número exactamente na mesma quantidade de dias em que eu e o senhor da porta temos este diálogo.
Hoje acordei rabugenta. Não me apetecia ter o demorado ritual do número do quarto. Mas não!
Hoje voltou a pedir e pediu para repetir. Sentei-me de maneira a observar a porta. E a minha suspeita era real. muitos dos outros clientes passavam sem ser interrogados. Os clientes ( são quase todos homens de negócios ou pelo menos parecem) passam e sentam-se sem ser preciso trocarem uma palavra com o fiscal da porta. Perguntei a um dos empregados porquê que eu era alvo de interrogatório todo santo dia… e veio a resposta ‘é que a senhora é simpática’ , – simpática ?!!! explicou que é porque chego a sorrir.
A maioria dos outros não, chegam de cara de poucos amigos.
Ora bolas!! Sorriso tem preço! Mas prefiro continuar a responder ao interrogatório e continuar a sorrir.
( e cá estou a escrever e a rir de mim própria num hotel em luanda)

Olhares : Mulheres de São Tomé e Príncipe

3 Mar , 2017  

, ,

IMG_1609

A coleção das fotos e textos é o resultado do trabalho amador e feito apenas pelo luxo do prazer do fazer.
As fotos foram tiradas em 2016 nas duas ilhas de São Tomé e Príncipe. Os textos são semi-reais mas resultam das horas de conversas que tivemos com muitas das mulheres.
Autoras:
Claudia correia. Formada em gestão de empresas. Empresária e trabalhadora de números. Mas nas horas vagas e por paixão tira fotografias. Sobretudo gosta de fotografar pessoas tal como são.
Elisabete azevedo-harman. É politologa e professora de ciência política. Vive por países em África. Não é escritora. Não é jornalista. Mas gosta de contar estórias. Sobretudo estórias de pessoas reais e que fazem a história dos países.

IMG_1609 IMG_1610 IMG_1611 IMG_1612 IMG_1613 IMG_1614 IMG_1615 IMG_1616 IMG_1617 IMG_1618 IMG_1619 IMG_1620 IMG_1621

 

Onde estou ? Em Cabo Verde

19 Fev , 2017   Video

IMG_1439Afinal onde andas ?
Alguns de vocês confusos com as minhas andanças estão a perguntar em privado…
ora já não estou em Bissau ( já com sodade ) e estou aqui na ilha que a Mayra diz ser de algodão e saia de chita…