56 anos passados

3 Ago , 2015   , ,

Foi há 56 anos que as autoridades portuguesas coloniais reagiram brutalmente à manifestação dos trabalhadores marinheiros que pediam melhores condições e aumento salarial. Morreram centenas de pessoas. Hoje assinalou-se a data no local do massacre, praça de Pdjinguiti.

Lá estive entre guineenses amigos. Já passaram 56 anos e que eu saiba nenhum familiar meu esteve alguma vez nas colônias. Mas mesmo assim sendo portuguesa hoje os ‘maus’ eram a minha tribo. E passados 56 anos ali estava eu da tal ‘tribo’ no meio de amigos, ex-combatentes e até de sobreviventes ao massacre.

Apesar da boa disposição típica dos guineenses e da sua generosidade para comigo… Confesso que me arrepiei ao ouvir o presidente da Assembleia no seu discurso a dizer que ouviu dos sobreviventes ‘que os corpos ficaram ali no mar a boiar como não fossem gente’. Arrepiei-me também quando sentada ao lado do Orlando vi a medalha que tinha ao peito… O seu falecido pai foi um dos que sobreviveu ao horror do dia em que o poder colonial português matou e em que os guineenses reagiram não com medo, mas ao contrário com ‘perda do medo’ (palavras do Pedro Pires, hoje também na cerimônia).

Na foto aparece o Eng. Carlos Correia que foi preso nesse dia por ter ‘resmungado’ contra a brutalidade. Não era marinheiro mas por ter dito ‘está mal’ foi imediatamente preso e ‘devidamente corrigido’. Não o foi, ao contrário a sua prisão levou-o à luta pela independência.