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A Piscina

23 Jan , 2016  

Esta Piscina está-me ‘emprestada’. Com a piscina veio um café e um sítio para deixar as malas. Depois de 11 horas de avião chego ao destino, mas nem tenho chave nem quem abra a porta. Resta-me ficar na rua.

Seria assim… mas valem-me sempre umas almas generosas que me aparecem na vida nunca sei bem de onde e porquê e que transformam momentos-menos-bons em momentos bons. O ‘meu’ taxista (digo meu porque já somos amigos- esta amizade consolidou-se quando o ano passado ele atende um telefonema e fica nervoso. Um amigo ameaçava suicidar-se. Desligou e o transtorno continuava. Eu resolvi sugerir falar eu com o amigo ‘diga-lhe que ele vai falar com a doutora’ e lá falei e fiz de psicóloga. Obviamente que só disse as coisas obvias mas o rapaz do outro lado da linha respeitou o que a ‘doutora’ disse. Desde daí não tenho um taxista, tenho um amigo.) mas voltando à história da piscina.

Creio que terá sido a Amália Rodrigues que disse que mais vale conhecer o porteiro que o dono da casa. Pois é mesmo assim. Cá estava eu na rua, cansada, sob um sol africano que não perdoa, e claro, com as várias malas de viagem. Preparava-me para ficar ali no passeio à espera. Mas o Mekito (taxista-amigo) disse que nem pensar, disse que me ia deixar numa guest house. Os receptionistas, são meus amigos, acrescentou.

Juro que imaginei-me numa pensão de estrelas negativas, e que entre essa tal guest house e a rua talvez a rua fosse melhor. Mas o cansaço decidiu por mim e obedeci. E ao contrário do que imaginei fui depositada numa guest house toda chique. O receptionista abriu a porta. Guardou as malas. Perguntou se queria tomar duche, disse-me para usar a piscina e para ficar à vontade como se a casa fosse minha. E cá estou. Expliquei que não vou ficar, só preciso de esperar para entrar na ‘casa’. Peguei em meticais para pagar o café que me era entregue, mas a mão que me trouxe o café não recebeu as notas-samora-machel, e a voz simpática do corpo da mão disse ‘deixe senhora, descanse’. Cá estou e tá-se bem.