Dias cheios

22 Out , 2013   ,

Há dias cheios. Não sei se a expressão pode ser usada assim, sem adições ou explicações. Mas o meu dia hoje foi assim – um dia cheio.
Estive em dois júris de teses, uma de doutoramento e outra de mestrado. Acordei às 6h00 da manhã para reler as minhas próprias notas sobre as teses. Da cama olhei para a mala de viagem aberta, mas vazia. Antes de sair de casa enchia-a com dois garfos, uma faca, um copo, um édredon e uma almofada. Ri-me de mim própria ao admirar a minha bagagem. Nunca tinha feito uma mala assim.
Mala feita, saí a correr. Só iria viajar ao final da tarde, mas ficava feita. Lá fui para as teses e almoço de trabalho. Fisicamente não me mexi muito, mas o cérebro correu e cansou-se a ele e ao corpo. O dia enchia de tarefas, mas também de emoções. A corrida contra o tempo suavizou o primeiro regresso aos corredores, às salas de aula, aos alunos e aos colegas.
Antes de voltar a correr para o avião ainda reencontrei uma velha amizade. A última vez que nos vimos foi há 11 anos. Hoje voltei a confirmar que as amizades verdadeiras não têm intervalos, apenas se continua de encontro a encontro. Simples.
E o dia continuou a encher… Já no aeroporto vi as notícias de Moçambique. O exército ocupou a casa de Dlakhama e a Renamo deu uma conferência de imprensa a comunicar o final da democracia multipartidária e o final do acordo de Roma. De coração apertado li e ouvi as notícias. Aqui o dia ficou mesmo cheio, ao cansaço juntou-se a tristeza.
O dia vai terminar de encher quando antes da meia-noite o avião aterrar em Londres, e a mala e eu nos dirigirmos para casa. Porque o dia foi tão cheio, vou abrir a mala, tirar o édredon e a almofada e deitar-me. É a primeira vez que irei dormir na minha nova casa. Amanhã terei energia e vontade para ver onde estou. Hoje só quero deitar-me e de iPad na mão saber as novidades de Moçambique.