É mesmo preciso ser doutor?

12 Abr , 2013  

A felicidade porque o ‘doutor’ (por extenso… Doutorado) substitui o ‘não dr’. Esta noite ouvi e li vários comentários de felicidade pela substituição do Relvas por um ‘doutor’. Fico feliz que alguma coisa seja vista com felicidade… Mas perante estes comentários vindos da esquerda e da direita refugio-me na crónica do Miguel Esteves Cardoso da semana passada, não escreveria os elogios mas tudo o resto sem dúvida.
‘Miguel Esteves Cardoso Público 08/04/2013:
Basta de bullying do Miguel Relvas. Também contribuí, pelo que não me escuso da palmatória. Contra mim também falo.
Quantos licenciados legítimos são mais burros, ignorantes e inúteis do que Miguel Relvas? Muitos, muitos. A reacção histérica ao prefixo ‘Dr.’ ao nome dele dá a ideia que a grande maioria dos que o alcançaram sem artimanhas são, em todos os sentidos, melhores do que ele.
Miguel Relvas não foi um idiota preguiçoso. Foi – e é – um político profissional. Sem políticos profissionais, estaríamos tramados. E mal de nós se exigíssemos que eles fossem todos licenciados. Alto aí: esqueci-me que é precisamente isso que exigimos. Bem me parecia que já estávamos tramados há muito tempo. Miguel Relvas é um ser humano e um cidadão e tem sido maltratado por ser humano. Portou-se muito mal com o PÚBLICO mas isso não faz dele um monstro. Foi um pânico, um momento de chantagem e de ameaça machistas. Foi horrível. Mas foi apenas um mau dia no meio de meses e anos de bem ou de boa vontade. Nada houve de novo: é uma pessoa que se engana e se protege, como todos nós. Se o ódio público – ou, pior, o desdém – por ele fosse sincero, eu calar-me-ia. Mas não é. É um alvo fácil. É um bode expiatório. É uma vítima da snobeira social e académica.’