‘Sonhos’ no Monte Café

4 Jan , 2017  

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São Tomé e Príncipe.
“Quem têm sonhos não têm recursos
Quem têm recursos não tem sonhos ”
Monte café onde a criança não pede ‘doce, doce’. Sempre que posso gosto de ir ao Monte Café, a primeira vez por curiosidade depois passei a ir por respeito pelos jovens da comunidade. O turista é recebido pelos jovens da associação para a promoção da comunidade. Não são jovens importados, são os próprios filhos da roça que agora sem o trabalho dos seus pais, avôs, tios, mães resolveram ‘fazer alguma coisa’ e fizeram. Organizaram-se em cooperativa para a produção e a associação tenta preservar o património e promover o lugar. Mas a parte que mais respeito é que tudo se passa em harmonia com o resto dos moradores.
Em todo o São Tomé os turistas (sobretudo portugueses) levam doces para as crianças. Apesar dos apelos para que não o façam ainda é uma pratica do ‘turista’ que acha exótico ter crianças a gritar ‘doce, doce’.
No Monte Café ninguém pede nada. As crianças ao verem os turistas continuam a brincar e podem sorrir mas não nos ligam. O segredo está nos jovens que gerem a associação que proibiram os turistas de entregar doces. Simples.
Sempre que vou ao Monte Café conheço um dos 10 jovens da direção da Associação. Hoje foi a vez do Gege. O gege fala com calma e elegância. Explica a história da roça e a sua estória.
Gege mostra o edifício decadente que já foi a casa do patrão da roça e depois da independência foi o infantário do Gege. O edifício agora segura-se apenas por paredes frageis que denunciam a morte para breve da velha casa. A velha casa que já foi linda e poderosa agora apenas uma quase-ruína. Apesar de abandonada mantém-se em pé. Pergunto ao Gege porque não a recuperam e recebo a resposta ‘Quem têm sonhos não têm recursos
Quem têm recursos não tem sonhos”… ele tem o sonho. Sorri e garanti-lhe ( não sei bem porquê e se com razão ) “é sempre melhor pertencer aos que sonham’. img_0286 img_0287

Casa Almada Negreiros – São Tomé e príncipe

3 Jan , 2017  

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Reportagem RTP sobre a Casa Almada Negreiros

No meio de São Tomé e Príncipe existe a casa onde nasceu o pintor/escritor/poeta Almada Negreiros. A casa é agora um restaurante que poderia estar em qualquer avenida de Nova Iorque. Comida fantástica. É ainda mais impressionante por ser gerida por jovens da comunidade. Merece 5 estrelas e uma sexta estrela para a vista e a calma do lugar.  Os 2 jovens sobem uns 100 degraus para trazer cada prato que apenas explicam quando todo o cliente ( só tem 4 mesas) tem a comida em frente;)

Agora é  um sítio mágico com toque romântico… de certeza bem diferente da roça onde Almada nasceu no século XIX.

Aqui fica a biografia do Almada Negreiros ( fonte Blog truca.pt)

“José Sobral de Almada Negreiros, artista plástico e escritor, nasceu em 1893 em São Tomé e Príncipe, onde o pai era administrador do concelho da cidade. Estudou no colégio jesuíta de Campolide, para onde entrou em 1900, aos sete anos de idade, após a morte prematura da mãe, em 1896, e a partida definitiva do pai para Paris nesse mesmo ano. Aí realizou os jornais manuscritos “República”, “Mundo” e “Pátria”. Após o encerramento do colégio, frequentou entre 1910 e 1911, o liceu de Coimbra, de onde passou para a Escola Nacional de Belas Artes, em Lisboa. Em 1915, integrado no grupo “Orpheu”, centrou a sua polémica ideológica numa crítica cerrada a uma geração e a um país que se deixava representar por uma figura como Júlio Dantas. Mostrando se convicto de que «Portugal há de abrir os olhos um dia», lançou, em 1917, um “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX”, precavendo as contra a «decadência nacional», em que a «indiferença absorveu o patriotismo».
Entre 1919 e 1920 retomou os estudos de pintura em Paris. De regresso a Lisboa, adquiriu uma serenidade bem expressa na sua afirmação de que «entre mim e a vida não há mal entendidos». Mas, em 1927, de novo desgostoso com a falta de abertura do país às novas correntes ideológicas e culturais, foi para Madrid. Aí, como já antes o fizera em Lisboa, a par da sua actividade nas artes plásticas, colaborou com a imprensa. Com o agravamento da crise económica e social espanhola, após a proclamação da República, Almada regressou a Lisboa, em Abril de 1932. À consciência nacional que Paris lhe trouxera acrescentava agora uma «consciência ibérica culturalmente definida por valores líricos de uma certa lusitaneidade». Em 1934, casou com a pintora Sara Afonso.
Almada Negreiros, conhecido como «Mestre Almada», colaborou nas revistas de vanguarda “Orpheu” (de que foi co fundador), “Contemporânea”, “Athena”, “Portugal Futurista” e “Sudoeste” (que dirigiu). Participou em exposições de arte, nomeadamente na I Exposição dos Humoristas Portugueses (1911), a primeira do modernismo nacional. Como artista plástico, são de realçar os seus murais na gare marítima de Lisboa, os trabalhos para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima (mosaico e pintura) e o célebre retrato de Fernando Pessoa. Pintor do advento do cubismo, a sua actividade artística estendeu se ainda à tapeçaria, à decoração e ao bailado.
Como escritor, publicou peças de teatro (“Antes de Começar”, 1919; “Pierrot e Arlequim”, 1924; e “Deseja se Mulher”, 1928); o romance “Nome de Guerra” (escrito em 1925, mas publicado apenas em 1938, e que é considerado um dos romances fundamentais do século XX português e o primeiro em que se manifesta já a arte modernista); os poemas “Meninos de Olhos de Gigante” (1921), “A Cena do Ódio” (escrito em 1915 durante a Revolução de Maio contra a ditadura de Pimenta de Castro e publicado apenas em 1923, que consiste numa descrição violenta do Portugal da época, em que se exprime uma dialéctica de amor ódio que seria a tónica dominante das relações do artista com a pátria), “As Quatro Manhãs” (1935) e “Começar” (1969); e uma série de textos de crítica e polémica, dispersos pelas publicações em que colaborava. De entre estes, destacam se o “Manifesto Anti Dantas” (1915), verdadeiro libelo de reacção ao ambiente cultural estagnado e academizante da época, o “Manifesto” (1916), o “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas” (1917) e “A Invenção do Dia Claro” (1921), conferência sob a forma de poema. A sua obra representa uma síntese, única na sua geração, das tendências modernistas e futuristas de então, não apenas por, como artista, ser multifacetado, mas também pela sua capacidade de fusão e conjugação, nas letras e na pintura, das vertentes plástica, gráfica e poética. Almada Negreiros faleceu em 1970.
Em 1970 e 1988, foram publicadas duas edições de “Obras Completas de Almada Negreiros”, comemorando a última o centenário do autor.
Artista da novidade e da provocação, em demanda de «uma pátria portuguesa do século XX», atento à busca de uma unanimidade universal e profundamente marcado pela herança e o sentido da civilização europeia, foi uma das grandes figuras da cultura portuguesa do século XX. Artisticamente activo ao longo de toda a sua vida, o seu valor foi reconhecido por inúmeros prémios.”

 

 

 

A ‘minha’ Europa mudou, construíram muros de medo

14 Dez , 2016  

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A minha Europa mudou e não foi para melhor. O medo pode não se expressar, mas manifesta-se. Manifesta-se sobretudo em não querer os ‘outros’ – mas quem são os outros e quem somos nós? Marine Le Pen propôs esta semana que os filhos de emigrantes comecem a pagar a sua educação. O medo vai construir muros muito mais perigosos e altos do que o estúpido muro que o futuro presidente Trump quer construir entre a América e o México. O medo constrói muros entre nós e os outros, mas os outros somos nós e nós somos os outros. São muros invisíveis de ódio e medo. E, enquanto os muros de tijolos se derrubam, os muros de populismo e medo crescem e tornam-se labirintos para a humanidade. Esta Europa preocupada com o medo entre as suas fronteiras faz também com que a Europa não olhe para as outras guerras, como esta guerra em Moçambique à minha porta. Estas guerras fora da Europa não tem espaço nos noticiários europeus e se o tiverem são em pequenas notas de rodapé.

http://visao.sapo.pt/nos-la-fora/2016-12-14-A-minha-Europa-mudou-construiram-muros-de-medo

José António Saraiva fala na cama deles

18 Set , 2016  

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Segundo o jornal Diário de Notícias, o José António Saraiva vai lançar um livro com  conversas privadas que teve com vários políticos portugueses. A notícia promete que o livro fará revelações sobre a vida sexual de vários políticos e gerou de imediato um burburinho nas redes sociais, não pelo hipotético conteúdo do livro, mas pelo facto de Passos Coelho ter aceitado apresentar o livro. As pessoas têm-se mostrado em choque e feito críticas ao ex-Primeiro Ministro, Passos Coelho, que terá dito que vai apresentar o livro mesmo sem o ler pela confiança e respeito que tem pelo José António Saraiva. Eu atrevo-me a fazer a mesma coisa, ou seja, vou comentar o livro mesmo sem o ler. Faço o mesmo que Passos Coelho, mas pela razão inversa. Passos diz que o faz pelo respeito e pela admiração que tem pelo José António Saraiva, eu faço-o porque não tenho respeito pelo senhor (e fui aluna dele na Universidade Católica). A notícia é assinada por um jornalista que respeito, João Pedro Henriques, e por isso li e acreditei que o livro divulgará a vida sexual das personalidades. Mas passados uns segundos de crença, pensei no assunto – a vida sexual dos políticos portugueses!?

Deve ser dos temas menos interessantes sobre o qual se pode escrever e até se poderá aplicar um estrangeirismo e dizer que é dos temas menos ‘sexy’.

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Meu texto de apresentação do Livro “O berlinde com Eusébio lá dentro” de Almiro Lobo

18 Set , 2016  

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convitepublicoO autor e eu

Boa tarde a todos os presentes e reitero as palavras do Senhor Director de Boas-Vindas à nossa Faculdade.  Fico feliz por ver no público muitos estudantes. Estas obras são registos fundamentais para perceberem o vosso presente, a vossa história.

A função que me foi incumbida é fazer a “apresentação” do livro O Berlinde com Eusébio lá dentro de Almiro Lobo. Antes de ver nos vossos rostos olhares de reprovação, permitam-me pedir desculpas, antecipadamente, pelos eventuais erros no cumprimento desta tarefa.  São várias as razões para duvidar da minha competência para a execução desta tarefa, e espero que, pacientemente, tenham em conta as razões que passo a apresentar.

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Padre Filipe Couto, Primeiro Reitor da Universidade Católica de Moçambique

16 Ago , 2016  

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Imagem Padre Couto, 2016

Padre Couto, 2016

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Capa e contracapa do livro “Construindo im novo dia”

Padre Filipe Couto . Guerrilheiro, padre, homem, professor, reitor, autodidata. A sua história cruza-se e encruza-se com a história do seu país e, quando a história não foi ao seu encontro, ele colocou-se no caminho e ajudou a construir a tal história do país através da sua história. Foi o primeiro e o único muitas vezes. Foi o Padre que atravessou a fronteira e o regime e se juntou aos combatentes da liberdade da Frelimo na Tanzânia, foi o primeiro Reitor da Universidade Católica de Moçambique, estudou, ensinou e viveu em vários países.

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Eu Fora

8 Ago , 2016  

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O email que recebi da Visão para integrar o grupo de cronistas ‘Nós lá Fora’ deixou-me com um problema: o ‘Fora de Portugal’ é fácil, mas o complicado é ‘dentro de quê?’ Se alguém ler estas minhas crónicas, fica o aviso que não sei bem sobre o que irei escrever. Irei escrever sobre vários ‘dentros’. Na maioria das vezes o ‘dentro’ será em Moçambique, sobretudo da cidade de Quelimane, mas outras serão nos outros PALOP, outras vezes na África do Sul, e outras não sei.

Neste momento estou em Bissau, mas sobre a Guiné prometo escrever em breve. Desta vez partilho o que escrevi no Rio de Janeiro no dia em que o Senado votava o Impeachment, no passado 12 de Maio. Peço antecipadamente desculpa ao leitor por não partilhar um texto escrito na hora, fresquinho, mas ao ver esta semana as noticias sobre o inicio dos Jogos Olímpicos voltei a ler o que escrevi no Brasil e sobre o Brasil. Passaram-se dois meses, mas o ambiente que testemunhei não parece ter mudado – o lavajato, o impeachment e um Brasil dividido, continuam.

Aqui ficam as algumas das notas que escrevi nos cafés do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

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O país “a andar com passo certo para conhecer a felicidade”

12 Jul , 2016  

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Esta terça-feira, a cinco dias de mais uma eleição presidencial, os são-tomenses celebram o dia da independência nacional — foi a 12 de Julho de 1975.

Foi uma independência feita por “guerrilheiros da guerra sem armas na mão”, como se canta no hino do país escrito pela política, poeta e intelectual são-tomense Alda Espírito Santo. O hino, que repete várias vezes “independência total”, regista para a História que a soberania foi conquistada, mas sem armas. No início da década de 1970, as ideias nacionalistas chegavam ao arquipélago pela mão dos jovens estudantes que acompanhavam as notícias das descolonizações no continente africano.

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Cabo Verde, o país que a Assembleia Nacional fez nascer

5 Jul , 2016  

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Foi a 5 de Julho de 1975 que, na Cidade da Praia, o primeiro-ministro português, Vasco Gonçalves, e o presidente da Assembleia Nacional Popular de Cabo Verde, Abílio Duarte, assinaram a declaração de independência do país. Depois dos abraços dos que estavam no palco e perante a multidão, desceu a bandeira portuguesa, ao som do hino português. Em seu lugar subia a bandeira do novo estado ao som do hino escrito por Amílcar Cabral.

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