Eu Fora

8 Ago , 2016  

,

O email que recebi da Visão para integrar o grupo de cronistas ‘Nós lá Fora’ deixou-me com um problema: o ‘Fora de Portugal’ é fácil, mas o complicado é ‘dentro de quê?’ Se alguém ler estas minhas crónicas, fica o aviso que não sei bem sobre o que irei escrever. Irei escrever sobre vários ‘dentros’. Na maioria das vezes o ‘dentro’ será em Moçambique, sobretudo da cidade de Quelimane, mas outras serão nos outros PALOP, outras vezes na África do Sul, e outras não sei.

Neste momento estou em Bissau, mas sobre a Guiné prometo escrever em breve. Desta vez partilho o que escrevi no Rio de Janeiro no dia em que o Senado votava o Impeachment, no passado 12 de Maio. Peço antecipadamente desculpa ao leitor por não partilhar um texto escrito na hora, fresquinho, mas ao ver esta semana as noticias sobre o inicio dos Jogos Olímpicos voltei a ler o que escrevi no Brasil e sobre o Brasil. Passaram-se dois meses, mas o ambiente que testemunhei não parece ter mudado – o lavajato, o impeachment e um Brasil dividido, continuam.

Aqui ficam as algumas das notas que escrevi nos cafés do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

More…

O país “a andar com passo certo para conhecer a felicidade”

12 Jul , 2016  

, , ,

Esta terça-feira, a cinco dias de mais uma eleição presidencial, os são-tomenses celebram o dia da independência nacional — foi a 12 de Julho de 1975.

Foi uma independência feita por “guerrilheiros da guerra sem armas na mão”, como se canta no hino do país escrito pela política, poeta e intelectual são-tomense Alda Espírito Santo. O hino, que repete várias vezes “independência total”, regista para a História que a soberania foi conquistada, mas sem armas. No início da década de 1970, as ideias nacionalistas chegavam ao arquipélago pela mão dos jovens estudantes que acompanhavam as notícias das descolonizações no continente africano.

More…

Cabo Verde, o país que a Assembleia Nacional fez nascer

5 Jul , 2016  

, , ,

Foi a 5 de Julho de 1975 que, na Cidade da Praia, o primeiro-ministro português, Vasco Gonçalves, e o presidente da Assembleia Nacional Popular de Cabo Verde, Abílio Duarte, assinaram a declaração de independência do país. Depois dos abraços dos que estavam no palco e perante a multidão, desceu a bandeira portuguesa, ao som do hino português. Em seu lugar subia a bandeira do novo estado ao som do hino escrito por Amílcar Cabral.

More…

Entrevista Jornal Vanguarda

11 Abr , 2016  

,

Os dois grandes partidos de Moçambique – Frelimo, no poder, e Renamo, na oposição – voltaram a um padrão de conflito, marcas de uma guerra civil de 16 anos. Mas estamos em 2016, e a sociedade moçambicana mudou. No tempo da guerra só existia universidade em Maputo, neste momento todas as províncias tem universidades públicas e privadas. As dinâmicas políticas e sociais evoluíram. O diálogo tem que ser mais inclusivo, temos que ter presente que a Frelimo e a Renamo “são os únicos que têm as armas” mas que há um terceiro partido com relativa representatividade institucional  o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), com implementação urbana e nas camadas mais jovens. Falámos com Elisabete AzevedoHartman, investigadora da Universidade Católica de Lisboa e professora na Universidade Católica de Moçambique, na Beira, onde vive actualmente. A politóloga, ainda abalada pela morte recente de D. Jaime Pedro Gonçalves, de quem era próxima, adiantou-nos que por estes dias se viveram ‘cinco minutos de intervalo’ do conflito quando tanto o presidente Filipe Nyusi como o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, lamentaram a morte de D. Jaime e lembraram o seu legado para a paz, porque, como escreveu o bispo, “a paz que conquistamos, foi conquistada por nós”.
More…

Estórias da minha Páscoa

27 Mar , 2016  

O bandido-filosofo e o cabrito de nome Páscoa…. e como a culpa é uma otima defesa. Em direto da Cidade da Beira em Moçambique:
1- O bandido filósofo. Ontem cheguei à cidade da Beira. Esperava-me um almoço festim. Almoçou-se e depois cada um arrastou-se para o seu sofá e ficávamos ali a jiboiar. Um dos meus anfitriões diz ´e então lá em Portugal’ comem o quê na Páscoa. Respondi que não sabia bem mas achava que era cabrito. La ficávamos a ver um filme daqueles de televisão que se vê automaticamente quando faz 40 graus lá fora e o filme é usado como ponto de encontro para se ficar ali. De repente um anfitrião desapareceu. Passado uma hora oiço ‘mé mé mé’.

More…

Somos todos feministas

8 Mar , 2016   Video

,

“Não digas ‘feminista ou feminismo'” recebi este conselho hoje quando dizia que tinha sido convidada para dar uma palestra sobre política do género esta tarde. Ouvi e lembrei-me da escritora Chimamanda quando ela conta na sua palestra SOMOS TODOS FEMINISTAS que o seu melhor amigo com quem cresceu foi quem pela primeira vez lhe chamou ‘feminista’.

‘Não foi um elogio’, explicou que o sentido era como dizer a alguém ‘terrorista’. Chimamanda é africana eu não sou. Muitas vezes em Africa quando digo que sou feminista empurram-me para ‘ tu (ou a Professora) é feminista porque vem com as ideias da Europa’.

More…

Eu e o meu pâncreas.

3 Mar , 2016  

12718323_1287971717886504_3947271931781225190_n

Aviso este post é daqueles que só interessa a mim própria e neste caso ao meu pâncreas. Neste caso nem ao meu pâncreas porque não tem Facebook. Eventualmente pode interessar a algum pâncreas ou Ser com pâncreas como o meu.

More…

South Africa 2016

21 Fev , 2016   Gallery

,

Tampões Assassinos

19 Fev , 2016  

12715280_1278798598803816_6849416593903498566_n

A senhora polícia de luva branca abriu a minha mochila. O ar da senhora não escondia que hoje a autoridade não estava para brincadeiras. Mantive-me por isso calada enquanto os meus papéis e papéis e cadernos foram minuciosamente inspeccionados. Mas chegou o momento do ‘tampão. Aí a luva branca não ficou dentro da mala. Pegou no tampão e levantou o braço para poder ver o objecto ao longe. Virou e voltou a ver do outro lado o pequeno objecto. A meio da observação olhou para mim com o ar de ‘apanhei-te’.

Eu continuei a tentar ter o ar mais inocente, consciente que tudo o que eu dissesse seria usado contra mim. Perante o espectáculo o colega mais jovem decidiu tocar no cotovelo da colega. Uma troca de olhares entre eles e só aí a luva branca voltou a colocar o objecto na minha mochila .

Podia seguir, disseram-me, mas a senhora polícia avisou-me com olhar’desta vez escapas’. Uffff

Aniversário Catarina (UCM, Quelimane)

16 Fev , 2016   Gallery