‘Perdoar mas não esquecer’

3 Fev , 2015   Video ,

Um dos rostos da brutalidade do Apartheid foi libertado há quatro dias. Eugene de Kock foi preso em 1994, após ter sido ouvido na Comissão da Verdade e Reconciliação.
Conhecido por ‘Prime Evil’, assassinou ele próprio cento e vinte activistas anti-apartheid e indirectamente foi responsável pela tortura e morte de outros milhares de sul-africanos através das suas orientações e ordens. Nas sessões da Comissão da Verdade e Reconciliação, não só confessou a responsabilidade pelas mortes, como colaborou ao informar as famílias das vítimas onde estavam os restos mortais das vítimas.
Neste vídeo, dois dos jornalistas sul-africanos que foram fundamentais na denuncia dos crimes do apartheid, mesmo durante o regime, lembram como a figura deste homem era ‘normal’. Um rosto como um simples professor ou funcionário público, e afinal, como diz Max du Preez, este homem era uma ‘killing machine’ (máquina de matar). A Justiça aceitou o seu pedido de liberdade. Passou 20 anos na prisão.
Nas conversas que tenho tido com sul-africanos, as opiniões dividem-se…Mas hoje tive uma conversa cara a cara com uma jovem sul-africana descendente directa de vítimas do apartheid, hesitei, ao fazer a pergunta, mas ela rapidamente respondeu com a frase do Mandela e do Tutu ‘Perdoar mas não esquecer’. Vi nos seus olhos que não o disse como cliché, disse porque pensa mesmo assim. Este país é realmente muito especial.