Retórica pré-eleitoral

18 Dez , 2014  

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Em 2010, Presidente Kabila pediu às tropas da ONU para saírem do país. Nesta segunda-feira, Presidente Kabila discursou perante o parlamento e a mensagem foi a mesma que em 2010, ou seja – voltou a pedir aos capacetes azuis para irem para casa. Em comum, as duas mensagens têm o quando e onde são feitas. Quanto ao ‘Quando’, o ano de 2010 e 2014 são anos antes de eleições, e o ‘onde’, as declarações do Presidente são feitas bem longe do Congo Leste, onde há vinte anos reina a guerra. Campos de refugiados cheios e milhares de famílias sem poderem nem regressar às suas aldeias. Presidente Kabila deve ter uma ideia-plano em como terminar a guerra, mas isso ficou longe de ser percebido.

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O povo congolês já sofreu mais que o suficiente…

13 Jul , 2013  

Más notícias são sempre más notícias… Mas quando leio más notícias sobre o Congo, o meu coração fica ainda mais apertado. No Congo há uns anos fui testemunha do desespero e a revolta da população. Os polícias e os militares dispararam para as pessoas, não para o ar… Pelo menos um jovem foi alvejado, e o seu corpo ficou ali, ninguém o socorreu… Eu assisti impotente… E frustrada porque os polícias, na verdade, estavam a proteger-me a mim e aos meus colegas (observadores das eleições).
Na altura escrevi alguns textos sobre o que vivi e assisti, uns publiquei, outros guardei como diário para minha própria terapia. Num dos artigos que publiquei na altura expliquei:
‘Em Mweka, as eleições começaram normalmente às 5 da manhã, mas na cidade, por volta do meio-dia, todos os centros de voto tinham sido queimados e pilhados. A população acusou a Comissão Eleitoral local e o candidato local à Assembleia Nacional, Mr Bushavou (ex-chefe de gabinete do Presidente Kabila), de fraude. A ‘presença internacional’ em Mweka resumia-se a dois observadores europeus, dois sul-africanos para assistência técnica eleitoral, três polícias das Nações Unidas desarmados e um técnico eleitoral, também das Nações Unidas. O escritório das Nações Unidas era uma tenda com um gerador, onde apenas cabia, uma mesa com o computador e uma impressora. A cidade não tem água, não tem luz. A cidade mais perto fica a cerca de 20 horas de carro. A violência que se prolongou por toda a tarde em Mweka resultou em vários jovens locais feridos, dois deles em estado grave. A polícia congolesa ‘tentou’ controlar a população disparando e perseguindo grupos de manifestantes. Os manifestantes responderam com paus, pedras e catanas. A nossa tenda-escritório foi todo o dia até escurecer a divisão do campo de batalha entre os jovens a polícia…

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Ex-comissário Europeu – Louis Michel

9 Abr , 2013  

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Louis Michel. Já há algum tempo que não me deparava com uma notícia com o ex-comissário Europeu, o belga Louis Michel. Em 2006, numa aldeia na República Democrática do Congo ouvi durante semanas o seu nome. As estrelas da União Europeia na minha roupa faziam que eu fosse da ‘equipa’ do tal L Michel. Ser da equipa do senhor não era apreciado. As acusações ao senhor eram acompanhadas de gestos irritados, mas nada de grave. Intrigava-me que a pessoa mais humilde soubesse o nome do comissário Europeu – quantos Europeus saberiam o seu nome?
Apesar desta ‘anormalidade’ da obsessão com o senhor… Tudo decorria normal até ao dia das eleições. Nesse dia, as pessoas enfurecidas destruíram as urnas, os locais de voto e, mais uma vez, ouvi o nome do senhor. Desta vez, o nome era dito com gritos e entre empurrões. Nunca o conheci. Nunca o vi… Desde essa altura, leio sempre curiosa o que se escreve e diz sobre o ex-comissário. A imprensa é quase sempre muito simpática com ele… Na Europa, ele é um dos diplomatas mais respeitados para os assuntos de África… Não possuo informação para julgar o senhor… Apesar de, como diz o povo, onde há fumo há fogo… E se não há fogo que se esclareça que é só fumo.

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