Preço de sorrir nos hotéis de luanda

30 Abr , 2017   Video

,

Descobri que sorrir parece ser um problema nos hotéis. Entro na sala do pequeno-almoço e passo pelo ritual de dizer o número do quarto. O senhor que me pergunta é o mesmo há muitos dias..eu sou a mesma exactamente na mesma quantidade de dias e todos esses dias tenho que dizer e muitas vezes repetir o número quarto que é o mesmo número exactamente na mesma quantidade de dias em que eu e o senhor da porta temos este diálogo.
Hoje acordei rabugenta. Não me apetecia ter o demorado ritual do número do quarto. Mas não!
Hoje voltou a pedir e pediu para repetir. Sentei-me de maneira a observar a porta. E a minha suspeita era real. muitos dos outros clientes passavam sem ser interrogados. Os clientes ( são quase todos homens de negócios ou pelo menos parecem) passam e sentam-se sem ser preciso trocarem uma palavra com o fiscal da porta. Perguntei a um dos empregados porquê que eu era alvo de interrogatório todo santo dia… e veio a resposta ‘é que a senhora é simpática’ , – simpática ?!!! explicou que é porque chego a sorrir.
A maioria dos outros não, chegam de cara de poucos amigos.
Ora bolas!! Sorriso tem preço! Mas prefiro continuar a responder ao interrogatório e continuar a sorrir.
( e cá estou a escrever e a rir de mim própria num hotel em luanda)

Meu texto de apresentação do Livro “O berlinde com Eusébio lá dentro” de Almiro Lobo

18 Set , 2016  

, ,

convitepublicoO autor e eu

Boa tarde a todos os presentes e reitero as palavras do Senhor Director de Boas-Vindas à nossa Faculdade.  Fico feliz por ver no público muitos estudantes. Estas obras são registos fundamentais para perceberem o vosso presente, a vossa história.

A função que me foi incumbida é fazer a “apresentação” do livro O Berlinde com Eusébio lá dentro de Almiro Lobo. Antes de ver nos vossos rostos olhares de reprovação, permitam-me pedir desculpas, antecipadamente, pelos eventuais erros no cumprimento desta tarefa.  São várias as razões para duvidar da minha competência para a execução desta tarefa, e espero que, pacientemente, tenham em conta as razões que passo a apresentar.

More…

Padre Filipe Couto, Primeiro Reitor da Universidade Católica de Moçambique

16 Ago , 2016  

, ,

Imagem Padre Couto, 2016

Padre Couto, 2016

construindonovodia

Capa e contracapa do livro “Construindo im novo dia”

Padre Filipe Couto . Guerrilheiro, padre, homem, professor, reitor, autodidata. A sua história cruza-se e encruza-se com a história do seu país e, quando a história não foi ao seu encontro, ele colocou-se no caminho e ajudou a construir a tal história do país através da sua história. Foi o primeiro e o único muitas vezes. Foi o Padre que atravessou a fronteira e o regime e se juntou aos combatentes da liberdade da Frelimo na Tanzânia, foi o primeiro Reitor da Universidade Católica de Moçambique, estudou, ensinou e viveu em vários países.

More…

Estórias da minha Páscoa

27 Mar , 2016  

O bandido-filosofo e o cabrito de nome Páscoa…. e como a culpa é uma otima defesa. Em direto da Cidade da Beira em Moçambique:
1- O bandido filósofo. Ontem cheguei à cidade da Beira. Esperava-me um almoço festim. Almoçou-se e depois cada um arrastou-se para o seu sofá e ficávamos ali a jiboiar. Um dos meus anfitriões diz ´e então lá em Portugal’ comem o quê na Páscoa. Respondi que não sabia bem mas achava que era cabrito. La ficávamos a ver um filme daqueles de televisão que se vê automaticamente quando faz 40 graus lá fora e o filme é usado como ponto de encontro para se ficar ali. De repente um anfitrião desapareceu. Passado uma hora oiço ‘mé mé mé’.

More…

Eu e o meu pâncreas.

3 Mar , 2016  

12718323_1287971717886504_3947271931781225190_n

Aviso este post é daqueles que só interessa a mim própria e neste caso ao meu pâncreas. Neste caso nem ao meu pâncreas porque não tem Facebook. Eventualmente pode interessar a algum pâncreas ou Ser com pâncreas como o meu.

More…

Tampões Assassinos

19 Fev , 2016  

12715280_1278798598803816_6849416593903498566_n

A senhora polícia de luva branca abriu a minha mochila. O ar da senhora não escondia que hoje a autoridade não estava para brincadeiras. Mantive-me por isso calada enquanto os meus papéis e papéis e cadernos foram minuciosamente inspeccionados. Mas chegou o momento do ‘tampão. Aí a luva branca não ficou dentro da mala. Pegou no tampão e levantou o braço para poder ver o objecto ao longe. Virou e voltou a ver do outro lado o pequeno objecto. A meio da observação olhou para mim com o ar de ‘apanhei-te’.

Eu continuei a tentar ter o ar mais inocente, consciente que tudo o que eu dissesse seria usado contra mim. Perante o espectáculo o colega mais jovem decidiu tocar no cotovelo da colega. Uma troca de olhares entre eles e só aí a luva branca voltou a colocar o objecto na minha mochila .

Podia seguir, disseram-me, mas a senhora polícia avisou-me com olhar’desta vez escapas’. Uffff

Aniversário Catarina (UCM, Quelimane)

16 Fev , 2016   Gallery

O Rio dos Bons Sinais

15 Fev , 2016  

12717789_1276116159072060_3061466439561849466_n

Onde Vasco da Gama terá descansado. Nelson Saute pegou no rio e fez-lhe um livro. E eu sempre que posso vou perto dos Bons Sinais e fico ali.

Em parte por saudade do Tejo mas Sobretudo gosto da sua companhia quando sei que o sol vai partir, descer e desaparecer atrás dele. Mia couto pegou no livro que o Saute fez com este rio dos bons sinais e escreveu:

More…

Takuta 2016

1 Fev , 2016   Gallery

Andei ‘desaparecida’ do mundo virtual mas mergulhada num mundo bem real. Estive a visitar e a conversar com mulheres e raparigas moçambicanas que vivem longe…longe do mundo da torneira com água, longe do interruptor que acende a luz, longe das rádios, longe dos filmes e da televisão que nunca viram. Irei escrever mais tarde sobre estas vidas e das suas donas que me acolheram.

Mesmo tendo pouco deram-me da sua comida, rimos e falámos sentados e esteiras como manda a tradição africana. As conversas foram sempre temperadas com gargalhadas de todas, mesmo quando se falava de medos e dificuldades. Estas mulheres ‘ relembraram-me como um sorriso vale tanto… Takuta ( obrigada na língua Sena)

Grande Zezito Mendes

29 Jan , 2016  

‘Como se chama? ‘, bety, respondi ( mudo e mudam o meu nome, às vezes sou elisabete, outras Beta, outras Eli.. E todos me servem).

Ao ouvir Bety ficou transtornado e afastou-se, ele a sua guitarra e a voz. Percebeu-se que no passado existiu uma Bety.. Voltou mais tarde e falou-me da outra Bety de há 20 anos atrás. Sempre que ouve ‘Bety’ não é fácil. Os anos de felicidade voltam à memória, mas também a tristeza da doença e da partida. Com desabafo feito selou-se a empatia o início de uma amizade. A conversa foi indo sozinha, desde de Cuba onde ele estudou musicologia até à minha incapacidade de cantar..

Ficou a promessa que numa próxima viagem a S. Tomé vai-me dar aulas de canto. Já me ensinou a ouvir as ondas do mar, ‘cada uma tem um som’, repetiu… É verdade. Grande Zezito Mendes…

No final da conversa pegou na guitarra e cantou ‘já tive mulheres de todas as cores… Mas nenhuma delas me fez tão feliz como vocês (estava eu e a Cláudia) me fazem. 😉 (nos dias de convívio falar e ouvir o Zezito fez-me feliz apesar de já ter assistido a cantores de todos as cores, felizes, tristes.. Mas nenhum deles nos fez tão feliz (naqueles dias) como o Zezito nos fez.