A ‘minha’ Europa mudou, construíram muros de medo

14 Dez , 2016  

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A minha Europa mudou e não foi para melhor. O medo pode não se expressar, mas manifesta-se. Manifesta-se sobretudo em não querer os ‘outros’ – mas quem são os outros e quem somos nós? Marine Le Pen propôs esta semana que os filhos de emigrantes comecem a pagar a sua educação. O medo vai construir muros muito mais perigosos e altos do que o estúpido muro que o futuro presidente Trump quer construir entre a América e o México. O medo constrói muros entre nós e os outros, mas os outros somos nós e nós somos os outros. São muros invisíveis de ódio e medo. E, enquanto os muros de tijolos se derrubam, os muros de populismo e medo crescem e tornam-se labirintos para a humanidade. Esta Europa preocupada com o medo entre as suas fronteiras faz também com que a Europa não olhe para as outras guerras, como esta guerra em Moçambique à minha porta. Estas guerras fora da Europa não tem espaço nos noticiários europeus e se o tiverem são em pequenas notas de rodapé.

http://visao.sapo.pt/nos-la-fora/2016-12-14-A-minha-Europa-mudou-construiram-muros-de-medo

O país “a andar com passo certo para conhecer a felicidade”

12 Jul , 2016  

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Esta terça-feira, a cinco dias de mais uma eleição presidencial, os são-tomenses celebram o dia da independência nacional — foi a 12 de Julho de 1975.

Foi uma independência feita por “guerrilheiros da guerra sem armas na mão”, como se canta no hino do país escrito pela política, poeta e intelectual são-tomense Alda Espírito Santo. O hino, que repete várias vezes “independência total”, regista para a História que a soberania foi conquistada, mas sem armas. No início da década de 1970, as ideias nacionalistas chegavam ao arquipélago pela mão dos jovens estudantes que acompanhavam as notícias das descolonizações no continente africano.

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Síndroma ‘Esposa de…’

29 Set , 2013  

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As encantadoras esposas dos políticos. Em Portugal, os políticos e a imprensa têm muitos defeitos e deficiências, mas felizmente ainda não sofrem do síndroma ‘esposa de…’. No mundo anglófono sofrem deste mal. Os políticos têm que se apresentar em par, com uma esposa adorável e deslumbrada pelo marido. Como ironiza a jornalista inglesa, India Knight: ‘o que é que nos pedem admirar?… Que a esposa pensa que o esposo é fantástico? Seria estranho era se ela pensasse que casou com um idiota’.
Como republicana sempre recusei admirar as esposas, ou os poucos esposos (raros) ou qualquer que sejam os parceiros. Os gabinetes das primeiras-damas incomodam-me. Seja qual for a intenção e a devoção. Mesmo que as primeiras-damas sejam generosas e simpáticas e abracem causas sociais… E mesmo que tudo isto seja sincero. E mesmo que existissem gabinetes de primeiro-damo. Em Portugal, por vezes aparece um caso ou outro de ‘primeiro-damismo’, felizmente sem grande sucesso. A imprensa política portuguesa continua a ignorar as ditas. Nem tudo vai mal na terra lusa.

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‘Sex and the City’ – A evolução da série

28 Set , 2013  

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A série televisiva ‘Sex and the City’ faz este ano quinze anos. Uau… Sinais que os anos passam… Não fazia ideia que tinha sido há tanto tempo. Quando começaram os primeiros episódios, eu andava pelos últimos 20s e lembro-me de gostar da Miranda, achar a Carrie e a Charlote umas barbies, e gostar da Samantha por desafiar a ideia convencional da ‘lovely mulher’ que procura sempre o amor em todas as relações.
O artigo da NY analisa a evolução da série e como esta sucumbiu ao convencional… A meio da série, a Carrie torna-se refém da relação com o tal tipo de nome ‘Big’. A Carrie perde a piada, torna-se insegura, frágil e destrói a personagem engraçada, segura e freak. Piora no filme quando a produção torna a série numa história banal de princesas e príncipes. Ao que parece, a mudança do diferente para o convencional seguiu o desejo das espectadoras(es). Se agradou… Agradou por pouco tempo. Porque mais do mesmo morre cedo.
Na série inicial as conversas eram autênticos tratados sobre libertação sexual feminina. No início, a série foi um grito de nouveau feminismo. Sucumbiu. Ao longo destes 15 anos testemunhei, com tristeza, a sua morte lenta. Não morreu quando terminou, começou a morrer quando o tal ‘Sr Big’ apareceu… Pelos vistos o público gostou. Infelizmente as histórias de príncipes continuam a ser preferidas, mesmo que sejam príncipes maus e sem interesse.

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Quando é que me sinto europeia?

11 Set , 2013  

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A pedido dos organizadores do debate da FFMS, ‘Portugal Europeu e agora?’ que terá lugar em Lisboa, nos dias 13 e 14 de Setembro, escrevi esta nota em resposta à questão ‘Quando se sente europeu?’.
Quando é que me sinto europeia? Muitas vezes e há muito tempo. De tal maneira que a pergunta até me pareceu estranha. Foi como se me perguntassem desde quando é que me sinto portuguesa. A identidade europeia há muito que coabita lado a lado com a minha identidade portuguesa. Quando atingi a idade adulta, Portugal já era membro de pleno direito da Comunidade Europeia. Como estudante universitária viajei por uma Europa já sem fronteiras, apesar de na universidade os programas de intercâmbio estudantil, como o Erasmus, estarem ainda ou no seu início ou ainda não existirem.

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Alergias

19 Ago , 2013  

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A TAP foi simpática e ofereceu-me o jornal Expresso. Na verdade, quando estou em Portugal compro o dito, resmungo comigo própria, mas lá carrego o jornal e leio com o luxo do tempo lento a beber um café numa esplanada no meu bairro.
Quando compro o jornal começo por ler os meus favoritos, Ana Cristina Leonardo, Nicolau Santos, Clara Ferreira Alves, Cristina Peres, o Monjardino e a parte internacional. Depois abro e fecho o jornal várias vezes, encontro de quando em quando boas surpresas, mas salto deliberadamente a página central Editorial e Opinião. Gosto e conheço pessoalmente o Martim Avillez e já lhe pedi desculpa por saltar a sua página. Ele e outros da página pagam o preço de integrarem a página a que chamo o ‘clube dos rapazes’. Resmungo para mim e em voz alta penso… Só neste país, ‘mas não há mulheres?’.

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Contrasensos

17 Abr , 2013  

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Jornalista etíope recebe prémio na prisão. O seu trabalho e coragem foi entendido como merecedor deste prémio internacional… o mesmo trabalho e coragem que a levou e a mantém na prisão.

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É mesmo preciso ser doutor?

12 Abr , 2013  

A felicidade porque o ‘doutor’ (por extenso… Doutorado) substitui o ‘não dr’. Esta noite ouvi e li vários comentários de felicidade pela substituição do Relvas por um ‘doutor’. Fico feliz que alguma coisa seja vista com felicidade… Mas perante estes comentários vindos da esquerda e da direita refugio-me na crónica do Miguel Esteves Cardoso da semana passada, não escreveria os elogios mas tudo o resto sem dúvida.
‘Miguel Esteves Cardoso Público 08/04/2013:
Basta de bullying do Miguel Relvas. Também contribuí, pelo que não me escuso da palmatória. Contra mim também falo.
Quantos licenciados legítimos são mais burros, ignorantes e inúteis do que Miguel Relvas? Muitos, muitos. A reacção histérica ao prefixo ‘Dr.’ ao nome dele dá a ideia que a grande maioria dos que o alcançaram sem artimanhas são, em todos os sentidos, melhores do que ele.
Miguel Relvas não foi um idiota preguiçoso. Foi – e é – um político profissional. Sem políticos profissionais, estaríamos tramados. E mal de nós se exigíssemos que eles fossem todos licenciados. Alto aí: esqueci-me que é precisamente isso que exigimos. Bem me parecia que já estávamos tramados há muito tempo. Miguel Relvas é um ser humano e um cidadão e tem sido maltratado por ser humano. Portou-se muito mal com o PÚBLICO mas isso não faz dele um monstro. Foi um pânico, um momento de chantagem e de ameaça machistas. Foi horrível. Mas foi apenas um mau dia no meio de meses e anos de bem ou de boa vontade. Nada houve de novo: é uma pessoa que se engana e se protege, como todos nós. Se o ódio público – ou, pior, o desdém – por ele fosse sincero, eu calar-me-ia. Mas não é. É um alvo fácil. É um bode expiatório. É uma vítima da snobeira social e académica.’

Daqui a pouco na imprensa

9 Abr , 2012  

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Daqui a pouco na imprensa (recomendo o take da Lusa). Forças Armadas guineenses fazem conferência de imprensa sobre o fim da missão de Angola em Bissau. As FA guineenses descartam responsabilidades e esclarecem que apenas pediram o equipamento militar que Angola tem trazido para Bissau. Datas de reuniões, críticas ‘suaves’ ao governo guineense. Esperemos o desenlace do xadrez que não é só guineense mas passou a ser regional. Como diziam os militares, ‘em 2010 tivemos que escolher entre Angola e a África de Sul e não tivemos dúvidas, escolhemos Angola, isto apesar do seu equipamento ser de fabrico sul-africano e os militares guineenses estarem ‘habituados’ a equipamento soviético… (ainda esclarecimento dos próprios militares).