Olhares : Mulheres de São Tomé e Príncipe

3 Mar , 2017  

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A coleção das fotos e textos é o resultado do trabalho amador e feito apenas pelo luxo do prazer do fazer.
As fotos foram tiradas em 2016 nas duas ilhas de São Tomé e Príncipe. Os textos são semi-reais mas resultam das horas de conversas que tivemos com muitas das mulheres.
Autoras:
Claudia correia. Formada em gestão de empresas. Empresária e trabalhadora de números. Mas nas horas vagas e por paixão tira fotografias. Sobretudo gosta de fotografar pessoas tal como são.
Elisabete azevedo-harman. É politologa e professora de ciência política. Vive por países em África. Não é escritora. Não é jornalista. Mas gosta de contar estórias. Sobretudo estórias de pessoas reais e que fazem a história dos países.

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José António Saraiva fala na cama deles

18 Set , 2016  

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Segundo o jornal Diário de Notícias, o José António Saraiva vai lançar um livro com  conversas privadas que teve com vários políticos portugueses. A notícia promete que o livro fará revelações sobre a vida sexual de vários políticos e gerou de imediato um burburinho nas redes sociais, não pelo hipotético conteúdo do livro, mas pelo facto de Passos Coelho ter aceitado apresentar o livro. As pessoas têm-se mostrado em choque e feito críticas ao ex-Primeiro Ministro, Passos Coelho, que terá dito que vai apresentar o livro mesmo sem o ler pela confiança e respeito que tem pelo José António Saraiva. Eu atrevo-me a fazer a mesma coisa, ou seja, vou comentar o livro mesmo sem o ler. Faço o mesmo que Passos Coelho, mas pela razão inversa. Passos diz que o faz pelo respeito e pela admiração que tem pelo José António Saraiva, eu faço-o porque não tenho respeito pelo senhor (e fui aluna dele na Universidade Católica). A notícia é assinada por um jornalista que respeito, João Pedro Henriques, e por isso li e acreditei que o livro divulgará a vida sexual das personalidades. Mas passados uns segundos de crença, pensei no assunto – a vida sexual dos políticos portugueses!?

Deve ser dos temas menos interessantes sobre o qual se pode escrever e até se poderá aplicar um estrangeirismo e dizer que é dos temas menos ‘sexy’.

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Meu texto de apresentação do Livro “O berlinde com Eusébio lá dentro” de Almiro Lobo

18 Set , 2016  

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convitepublicoO autor e eu

Boa tarde a todos os presentes e reitero as palavras do Senhor Director de Boas-Vindas à nossa Faculdade.  Fico feliz por ver no público muitos estudantes. Estas obras são registos fundamentais para perceberem o vosso presente, a vossa história.

A função que me foi incumbida é fazer a “apresentação” do livro O Berlinde com Eusébio lá dentro de Almiro Lobo. Antes de ver nos vossos rostos olhares de reprovação, permitam-me pedir desculpas, antecipadamente, pelos eventuais erros no cumprimento desta tarefa.  São várias as razões para duvidar da minha competência para a execução desta tarefa, e espero que, pacientemente, tenham em conta as razões que passo a apresentar.

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Mama Namibia

3 Jan , 2016  

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Mama Namibia é um livro obrigatório para quem quer saber mais sobre a história de África.

Um livro sobre a guerra entre o colonizador alemão e povo Herero na Namíbia. Para muitos historiadores o que se passou foi sem dúvida um genocídio. Em 2004 o Estado alemão pediu desculpa ao povo Herero (mas o genocídio ainda não é reconhecido/aceite). Ao longo da minha viagem pela Namíbia li este livro e uma viagem que seria só de turismo passou a ser também uma viagem na história.

A autora, Mari Serebrov, continua no seu blog a partilhar a sua investigação sobre este horrífico momento da história povo Herero.

Os Meninos Judeus Desterrados

10 Jun , 2015  

Livro do escritor são tomense, Orlando Piedade, baseado na história das duas mil crianças judias que em 1493 o rei português mandou retirar às famílias e enviar para São Tomé e Príncipe. Não li ainda o livro, mas está na lista de compras.

Sinopse: ‘Tendo como pano de fundo a história de duas mil crianças com idades compreendidas entre os seis e oito anos, na sua maioria filhos de judeus castelhanos que fugiram à inquisição no reino de Castela, durante o reinado dos reis católicos. Retiradas aos pais e enviadas por ordem d’El-Rei D. João II para povoar as ilhas de São Tomé e Príncipe, no ano de mil quatrocentos e noventa e três, logo fase inicial do povoamento destas ilhas.Baseado numa rigorosa investigação histórica, este romance narra o percurso de uma criança de seis anos que sobrevive e vence contra todas as probabilidades. Com especial apetência para atrair o perigo, quer por onde passe, Javier encontra o seu grande amor blindado pelo ódio religioso que o obriga a caminhar sobre o fio da navalha.’

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Lapsos de Memória

16 Fev , 2015  

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‘Deve ser fantástico conheceres pessoas todos os dias’, seguida de gargalhada, foi assim que uma colega me respondeu quando feliz da vida eu dizia que tinha acabado de conhecer o novo colega Richard, expliquei como o rapaz tinha resolvido o problema com o meu Iphone. O meu entusiasmo foi cortado com a tal frase e com as gargalhadas. Depois de rirem, lá me explicaram que eu já conheci o tal Richard pelo menos umas três vezes… eu não percebi e ele reagiu bem quando eu disse ‘prazer’, mas deve ter pensado que não valia a pena e voltou a dizer ‘igualmente’. Se quiser ver o lado positivo de me esquecer é a frase da minha colega. Nesse caso a vida tem mais cor se todos os dias conheço pessoas, mesmo que para elas seja repetição, pelos vistos para mim não é… Mesmo fazendo um esforço para ver o lado bonito e positivo da coisa, não deixa de ser preocupante.
Tenho pensado nisto ao longo do livro que estou a ler ‘Elizabeth is missing’. Ainda só vou a meio, a personagem principal é uma senhora idosa (com 90 anos) e que está a perder a memória. A escritora (Emma Healey) narra em detalhe o que vai na mente da personagem principal – a Maud. A Maud sabe que não se lembra. Como técnica escreve tudo em papéis. Mesmo não esquecer que a sua amiga Elizabeth desapareceu. Maud está esquecida mas percebe quando fazem sorrisos de gozo sobre a forma como se comporta. Maud percebe quando a filha se cansou que ela se tenha esquecido do que quer que seja. Maud gosta da neta que brinca com ela à frente dela sobre a perda de memória, diz a Maud, ‘brincar com as minhas falhas faz-me sentir normal’.

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Revisitar Mahmoud Darwish

3 Dez , 2014  

Segundo a imprensa israelita, morreu há umas horas o ministro do Fatah, Ziad Abu Ein. Li a notícia e lembrei-me do poeta palestiniano Mahmoud Darwish. Lembrei-me do poema ‘I Have a Seat in the Abandoned Theater’ e das das palavras finais do poema ‘So I say: I’m missing the beginning, what’s the beginning?’. Há dois anos visitei a terra do poeta e do ministro morto e em muitos lugares de Ramallah reli Darwish para tentar perceber melhor o que via… mas esta frase final do poema sempre ficou aberta e continuamente muitas vezes reaberta com mais feridas. BY MAHMOUD DARWISH, I have a seat in the abandoned theater in Beirut. I might forget, and I might recall the final act without longing… not because of anything other than that the play was not written skillfully… Chaos as in the war days of those in despair, and an autobiography of the spectators’ impulse. The actors were tearing up their scripts and searching for the author among us, we the witnesses sitting in our seats I tell my neighbor the artist: Don’t draw your weapon, and wait, unless you’re the author! – No Then he asks me: And you are you the author? – No So we sit scared. I say: Be a neutral hero to escape from an obvious fate. He says: No hero dies revered in the second scene. I will wait for the rest. Maybe I would revise one of the acts. And maybe I would mend what the iron has done to my brothers. So I say: It is you then? He responds: You and I are two masked authors and two masked witnesses. I say: How is this my concern? I’m a spectator. He says: No spectators at chasm’s door… and no one is neutral here. And you must choose your part in the end. So I say: I’m missing the beginning, what’s the beggining?

Etiópia, Ogaden e Somália.

3 Dez , 2014  

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Há livros que recordam territórios e gentes que não fazem parte das ‘nossas’ notícias. A globalização dos media faz milagres e traz-nos a casa notícias de distantes cantos do mundo. Mas esta globalização tem limite de tempo e de assuntos. Consegue ter na moda um assunto por meses e meses, mas muitas e muitas notícias nunca chegam a ser parte destas notícias globais. É o caso do território Ogaden. Tobias Hagmann acaba de publicar um livro sobre o tema e que vale a pena ler.
‘Talking Peace in the Ogaden outlines the modern history of ethnic Somalis in relation to the Ethiopian state from the late 19th century to the present day, and assesses prospects for a peaceful settlement between the Ethiopian government and the Ogaden National Liberation Front. Written by Tobias Hagmann, and researched by Rashid Abdi and others, the report brings us up to date on a 20 year-old insurgency waged by some Ogadeeni members of the larger ethnic Somali population in parts of the Ogaden region, which stretches across south-eastern Ethiopia and the borders of Kenya and the Somali territories. The report argues that international engagement and encouragement is needed to bring to an end a largely-hidden insurgency – and the counter-insurgency waged against it – that has cost thousands of non-civilian and civilian lives.’

Ler mais aqui.

‘Morte sim, funeral não.’

10 Jun , 2014  

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Eu gostava de poder guardar na memória as conversas inteiras. Infelizmente, sem a minha permissão, a minha memória edita, corta e selecciona o que guarda de cada conversa. E como as conversas nunca mais se repetem, fico só com pedaços ou das palavras ou dos momentos. Funciona assim para as boas e para as más conversas. Das boas conversas guardo mais ou menos palavra.
Hoje tive uma dessas boas conversas. Eu estive de bloco na mão e escrevi, mas já percebi que a minha memória ignorou as notas e guardou esta conversa no arquivo simplesmente com o nome ‘morte sim, funeral não’. Esse é realmente o nome mais correto para uma conversa no meio de Moçambique e onde o interlocutor de repente e sem avisar diz ‘conheces o poema chileno que diz – morte sim, funeral não’?
A BATALHA CAMPAL (Nicanor Parra)
a coisa começa com um
DESFILE NOTURNO DE ENERGÚMENOS
pelo centro da cidade:
morte sim!
funerais não!
morte sim!
funerais não!
morte sim!
funerais não!

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