Escritores angolanos

3 Mai , 2014  

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Uma das recompensas de se viajar em África é poder comprar livros dos autores locais. Infelizmente, muitos destes livros ainda não passam as fronteiras.
Esta semana em Luanda, li a banda desenhada de Armando Eduardo, um livro de ficção e outro de crónicas do Luis Fernando. Hoje não resisti e voltei a ler o clássico, ‘O ministro ‘ de Uanhenga Xitu. As palavras destes escritores angolanos de gerações e tempos diferentes são autênticas aulas catedráticas sobre as gentes do seu país. Quer de ministros com ou sem aspas, como escreveu Uanhenga, quer dos recém-empresários da atual Angola como o Sr. Alegria da Costa, personagem do livro ‘Clandestinos no paraíso’ de Luis Fernando.
Estas e as outras personagens destes livros partilharam comigo, através das suas vidas inventadas, como são as vidas reais dos outros.

O Meu Livro

8 Dez , 2013  

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O meu livro.
O Perfil do Parlamento e do Parlamentar Moçambicano.
De Inimigos a Adversários Políticos?
Já está à venda nas livrarias em Moçambique.
Publicado pela Leya (Moçambique), em breve estará também na livraria do Rossio, em Lisboa, e disponível para compra na internet. O livro resulta de anos de acompanhamento e estudo do Parlamento Moçambicano e faz parte de um estudo comparativo com outros parlamentos em África.

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O livro ‘Every Secret Thing: My Family, My Country’

18 Ago , 2013  

Há uns meses, li o livro ‘Every Secret Thing: My Family, My Country’ da autora Gillian Slovo. Gostei imenso. Gillian é filha de duas figuras históricas da luta contra o apartheid: Ruth First assassinada em Moçambique e Joe Slovo que chegou ainda a integrar o governo do Presidente Mandela. O livro emociona, ensina e é transparente sobre o que a própria autora foi sentindo ao longo da escrita sobre a vida dos seus pais. Dúvidas, receios, descobertas.
Hoje em Maputo estive com sul-africanos que vieram participar na abertura duma exposição em memória de Ruth First. E assim no meio de Maputo dei por mim só com sul-africanos como se estivesse num bar de Cape Town. Entre eles um dos meus grandes amigos sul-africanos, ele próprio, ex-prisioneiro político do apartheid. Como ele explica (raramente, porque não fala sobre o assunto), passou 6 anos na prisão sobretudo para o impedirem que ficasse como o seu irmão mais velho que era um activo membro do ANC. Entre a conversa banal de amigos, falou-se da Ruth First e brindou-se à sua memória. Foi uma aterragem surpresa, mas agradável.

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‘The Hairdresser of Harare’ de Tendai Huchu

29 Jul , 2013  

Gostei de ler. Terminei há dois dias e já tenho saudades de Vimbai e de Dumi. Já me tinha habituado aos pensamentos inocentes de Vimbai, da sua luta de dia a dia para sobreviver. Acompanhei a sua capacidade de reconstruir a capacidade de gostar e acreditar. Quanto ao Dumi, acabou por me seduzir como fazia com toda a gente com quem lidava. Sabia desde do meio do livro que ele ia sofrer. Percebi muito mais cedo que a Vimbai que o Dumi era gay, previ que mais tarde ou mais cedo ele iria pagar o preço dos estúpidos preconceitos à sua volta. Temi por um final não feliz. O final nem é feliz nem infeliz, é um final como na vida real.

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Heidi Holland para nos falar de Mugabe

22 Jul , 2013  

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Heidi Hollande

O Zimbábue vai a votos no próximo dia 31 de julho. Preside ao país o nome que mesmo os menos atentos à política africana reconhecem: Robert Mugabe. No poder desde 1980, é dos líderes africanos atuais que mais recebem atenção dos media internacionais. Na maioria dos casos, as notícias não são abonatórias. Mas eu nunca gosto de limitar a história aos bons e maus. A história, porque é o relato da realidade, é sempre mais complicada.  Hoje não irei escrever nem sobre o presidente Mugabe, nem sobre as eleições. Irei escrever sobre uma mulher: Heidi Holland. Já explico…

Integro, desde há uma semana, uma equipa de analistas que acompanha a situação no Zimbábue. Temos alguns elementos em Harare e, aqui em Londres, há uma pequena task-force. Tentamos acompanhar e, afastados da emoção de quem está no terreno, enquadrar, perceber e muitas vezes voltar a enviar questões para quem lá está.

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Biografias do Apartheid

12 Jul , 2013   Video

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“…disseram-nos: agora vão ser todos enforcados…mas o mais assustador era o polícia que nos interrogava. Ele colocava a pistola em cima da mesa e dizia ‘tem uma bala jogamos à roleta russa. Tu queres isto ou preferes a corda?’ e este tipo de coisas acaba por nos afectar. mais tarde ou mais cedo”. Bob Hepple, foi um dos líderes do ANC preso na tarde de 11 de Julho de 1963. Mandela já se encontrava detido há um ano, e esta operação era um golpe duro e decapitador do partido. Neste dia, com Heppler, foram detidos Walter Sisulu, Raymond Mhlaba, Govan Mbeki (pai do ex-presidente Thabo Mbeki), Dennis Goldberg, Ahmed Kathrada e Lionel Bernstein. Hoje, passados 50 anos, Bob Heppler recorda esse dia e esses anos de luta. Acaba de publicar a sua biografia ” Young Man with a Red Tie” .

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‘Behind the clouds there will be thousand Suns.’

23 Jun , 2013   Video

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Encontrei este provérbio indiano há muitos anos num livro.
Desse livro esqueci o título, o autor e o conteúdo… Só me lembro que o tal autor viajava pela Índia e leu a frase num muro ‘por detrás das nuvens há sempre um milhar de sois…’. Na minha imaginação do momento eu terei fechado o livro num movimento lento e pensativo – como me conheço imagino que sorri e terei dito em voz alta ‘adopto-te’.
Claro que as imaginações são quase sempre românticas, sobretudo naquelas em que somos a personagem principal… Como é o caso (eu a personagem principal, o livro a secundária)… Não interessa. O que importa é que desde esse ano (?) passei a dizer a frase a amigos e amigas quando as dificuldades e tristezas aparecem nas suas vidas, tento dizê-la para mim própria quando também eu sou atingida por tristeza. Mas não me lembro de ter pensado na expressão para países, para guerras ou conflitos, para a pobreza e pobrezas… Só agora me apercebi que tem sido assim, devo-o ter feito por um qualquer instinto e talvez o meu instinto esteja certo… Talvez se aplique só a pessoas…
Esta noite caminhava para casa e pensava na frase… E pensava, vou usar amanhã a frase num SMS para amigos que estão noutro país, que estão no Sul de África (não na África do Sul). Que falam português e que nos últimos dias têm partilhado comigo ‘medo’. Medo. Mesmo medo. Medo como vem no dicionário ‘Estado emocional resultante da consciência de perigo ou de ameaça, reais, hipotéticos ou imaginários.’. Já tive momentos de medo, mas não sei como é viver com medo. O dicionário de língua portuguesa também diz que o medo é a ausência de coragem… Como se enganaram… Viver com medo é um grande ato de coragem. De manhã mando o SMS com a frase escrita no tal muro.

Texto que parece ser intemporal

16 Mai , 2013  

Este excerto do texto podia ter sido escrito hoje… E infelizmente parece que também podia ser escrito amanhã – ‘Há uma personagem de ‘À Espera dos Bárbaros’, de J.M. Coetzee, que diz: ‘Há qualquer coisa a meter-se-me pelos olhos dentro e ainda não consegui ver o que é.’ Mesmo assim, ou por isso mesmo, é fundamental estar disponível para o que vem, na sua estranheza e na sua imprevisibilidade, e as crises são momentos cruciais para a intervenção que modifica, altera, recoloca as questões centrais.’ António Pinto Ribeiro

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Faleceu hoje Chinua Achebe

22 Mar , 2013  

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Faleceu hoje o grande escritor nigeriano Chinua Achebe. O seu livro de ficção ‘quando tudo se desmorona/things fall apart’, publicado pela primeira vez em 1958, retrata com coragem a vida política Nigeriana.
Ao longo da sua vida, a sua escrita demonstrou sempre a sua recusa em resignar-se com corrupção ou com despotismo. Costumo dizer aos meus alunos que para se estudar ciência política tem que se ler romances, estórias de vida… E para quem quer estudar África, ler Achebe não é aconselhável, é obrigatório.
A sua morte não é uma perda para África, é uma perda para o mundo. Nunca o conheci, só conheci as suas palavras, mas ao ler a notícia da sua morte fiquei triste como se tivesse perdido alguém meu conhecido e amigo…

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Lean In: Women, Work and the Will to Lead, by Sheryl Sandberg.

19 Mar , 2013  

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‘ista’… Feminista. Sou assim chamada muitas vezes. Não tem nem um sentido negativo nem positivo. É apenas dito. É normalmente dito (por homens e mulheres… mas sim, mais por homens) com um sorriso simpático, mas condescendente. É normalmente dito quando insisto que faltam mulheres oradoras em conferências, que a opinião escrita nos nossos jornais é predominantemente masculina (basta ver a página central do Expresso com os vários senhores)… Por vezes, mulheres que estão nas conversas quando me é atirado o ‘feminista’ rapidamente adicionam à conversa ‘eu não sou feminista’… Não sei qual das posturas me irrita mais…
A autora do livro acusa as mulheres de se auto-colocarem nas reuniões com uma postura ‘Lean back’… Quando regressei a Portugal trazia uma atitude ‘Lean in’ – reconheço que, passado dois anos, talvez tenha começado ‘Lean back’. Não li ainda o livro. Não costumo ler este tipo de livros de ‘sucessos’ e de receitas para os ‘sucessos’. Desta vez vou ler. Vou ler, não para aprender o ‘Lean in’, mas para tentar não esquecer.

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