Brenda Fassie

11 Jun , 2015   Video

São Tomé e Príncipe. Entrei no táxi e reconheci de imediato a música – Brenda Fassie. Olhei para o condutor e no máximo o rapaz teria 20 anos. Achei estranho um jovem de 20 anos em São Tomé e Príncipe ouvir Brenda Fassie. Ele achou estranho que eu soubesse quem era a cantora africana. Lá fomos, depois de esclarecidos e espantados um com o outro. Chegados ao destino, eu perguntei ‘então e a Makeba?’, essa ele não conhecia. Percebi que ele conheceu e gostou da Brenda mas não sabia a importância política e da sua vida activista pelos direitos humanos. Antes de sair do carro ele tirou do seu caderno de notas e pediu-me para escrever os nomes, e lá escrevi Makeba, Hugh Masekela e claro, o meu cantor favorito sul-africano, Vusi Mahlasela. Esta noite diz que já vai fazer o ‘download’ e amanhã ouvimos no seu MP3. Ah pois, porque aqui nas ilhas também temos estas coisas! A luta continua será a música de amanhã. Hoje foi esta.

Simone de Beauvoir

9 Jan , 2014   Video

Ao meu passado, eu devo o meu saber e a minha ignorância’ (Beauvoir). O motor de busca Google assinalou hoje a data de aniversário da Simone de Beauvoir. Hoje googlou-se em cima da foto da feminista, escritora e filósofa. Há umas semanas, partilhei um vídeo da escritora nigeriana Ngozi Adichie com o titulo ‘porquê que eu sou feminista’. A escritora nigeriana conta-nos a sua história com a mesma graça e inteligência da sua escrita. Conta-nos as várias razões e os vários momentos que fizeram com que seja feminista. Eu sou feminista. Se eu fizesse um vídeo como a Ngozi, creio que iria recorrer à mesma estratégia e partilharia através de pequenas histórias as razões que me fizeram e fazem feminista. Mas nos bastidores da minha/da Ngozi/nossa/vossa história temos muitas feministas. E na minha/da Ngozi/nossa/vossa história Simone de Beauvoir tem obrigatoriamente um lugar de destaque.

‘Sex and the City’ – A evolução da série

28 Set , 2013  

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A série televisiva ‘Sex and the City’ faz este ano quinze anos. Uau… Sinais que os anos passam… Não fazia ideia que tinha sido há tanto tempo. Quando começaram os primeiros episódios, eu andava pelos últimos 20s e lembro-me de gostar da Miranda, achar a Carrie e a Charlote umas barbies, e gostar da Samantha por desafiar a ideia convencional da ‘lovely mulher’ que procura sempre o amor em todas as relações.
O artigo da NY analisa a evolução da série e como esta sucumbiu ao convencional… A meio da série, a Carrie torna-se refém da relação com o tal tipo de nome ‘Big’. A Carrie perde a piada, torna-se insegura, frágil e destrói a personagem engraçada, segura e freak. Piora no filme quando a produção torna a série numa história banal de princesas e príncipes. Ao que parece, a mudança do diferente para o convencional seguiu o desejo das espectadoras(es). Se agradou… Agradou por pouco tempo. Porque mais do mesmo morre cedo.
Na série inicial as conversas eram autênticos tratados sobre libertação sexual feminina. No início, a série foi um grito de nouveau feminismo. Sucumbiu. Ao longo destes 15 anos testemunhei, com tristeza, a sua morte lenta. Não morreu quando terminou, começou a morrer quando o tal ‘Sr Big’ apareceu… Pelos vistos o público gostou. Infelizmente as histórias de príncipes continuam a ser preferidas, mesmo que sejam príncipes maus e sem interesse.

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Alergias

19 Ago , 2013  

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A TAP foi simpática e ofereceu-me o jornal Expresso. Na verdade, quando estou em Portugal compro o dito, resmungo comigo própria, mas lá carrego o jornal e leio com o luxo do tempo lento a beber um café numa esplanada no meu bairro.
Quando compro o jornal começo por ler os meus favoritos, Ana Cristina Leonardo, Nicolau Santos, Clara Ferreira Alves, Cristina Peres, o Monjardino e a parte internacional. Depois abro e fecho o jornal várias vezes, encontro de quando em quando boas surpresas, mas salto deliberadamente a página central Editorial e Opinião. Gosto e conheço pessoalmente o Martim Avillez e já lhe pedi desculpa por saltar a sua página. Ele e outros da página pagam o preço de integrarem a página a que chamo o ‘clube dos rapazes’. Resmungo para mim e em voz alta penso… Só neste país, ‘mas não há mulheres?’.

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Gana – Mulher viva ganha a Presidente morto.

12 Ago , 2013  

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Quando estou num país africano nunca dispenso ler a necrologia nos jornais. Adquiri este hábito com um dos meus professores e amigo ganês. Não me lembro em que país foi a lição, creio ter sido no Benin. Recordo-me de estarmos os dois a ler o jornal. Quando terminei, ele perguntou como num exame ‘ então quem morreu? A maioria que morreu tinha que idade? Quem tinha o maior anúncio?’. Percebi que ele tinha razão… A morte e todo o ritual da morte é realmente essencial para se perceber a cultura, as elites, sobretudo para ele que vinha do Gana. Este artigo lembrou-me este meu hábito e desafiou o que eu pensava saber.
Como explica o artigo a(s) forma(s) de evocação da morte tem particular importância e é muito revelador da estrutura de poderes formais e informais. Depois de muitos anos a ler as páginas de jornais africanos com as necrologias, esta história surpreendeu-me. O presidente do município, após um ano da morte do presidente do país, quis evocar a sua memória atribuindo ao estádio de hóquei o seu nome… Assim teria acontecido se o estádio não tivesse já o nome da Madame Okoy.
Em teoria um presidente, e um especialmente morto, não seria questionado. E o estádio receberia o seu nome sem discussão. O inédito do caso é a derrota desta teoria. A Madame Okoy, mulher e viva, à partida grandes desvantagens neste combate, ganhou a batalha e o estádio manterá o seu nome. A Madame Okoy com os seus 91 anos, ao saber da decisão do presidente do município, não ficou em silêncio e não aceitou a decisão. Ela própria sempre foi fã de hóquei, o que por isso só já valia a honra, mas para além disso é uma figura da cultura ganesa tendo, entre outras coisas, desenhado a bandeira do país. Pode parecer uma história caricatural mas uma mulher, e uma mulher viva ganhar a um presidente morto é mesmo notícia. Well done Madame Okoy acabou de voltar a contribuir para a história do seu país. Sempre que vir a bandeira do Gana irei lembrar-me de si e como vale sempre a pena ser irreverente e combativa.

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‘Nós mulheres falamos muito, mas mesmo assim não dizemos metade do que sabemos’

10 Jul , 2013  

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9h25 da manhã – chego a Westminster, exatamente cinco minutos antes da hora devida… Sou normalmente pontual, mas num ambiente inglês tenho um especial cuidado. E hoje ainda mais porque ia falar para um grupo de parlamentares britânicos no próprio Parlamento…
Cumprida a chegada, faltava a intervenção. O Chair apresentou-me e disse ‘welcome,… tem 15 minutos’… Pensei para comigo ‘tempo, tempo, não podes falar mais do que os 15 minutos. Controla-te!’ Coloquei o relógio na mesa como os oradores fazem por hábito com a ilusão de que ter o relógio na mesa controla alguma coisa. Falei e falei… No final, o Chair disse ‘well, since Elisabete used 20 minutes…’ Ups!… Apesar de esta frase ter sido dita com um sorriso, fiquei em pânico e fisicamente o rosto deve ter ficado da cor dos ingleses de férias no Algarve (vermelho). Mas, após estes segundos de desconforto, fui salva pelas palavras da primeira deputada que interveio. Antes de colocar a questão, disse ‘bem, cara Elisabete, falou realmente mais do que o tempo que o nosso Chair lhe atribuiu, mas neste caso aplica-se uma das famosas citações da primeira deputada neste país, Nancy Astor – ‘We women talk too much, but even then we don’t tell half what we know.’ Sorri e ela também. Quase que inadvertidamente lhe piscava o olho agradecida. O vermelho desapareceu do meu rosto e estava pronta para a ronda das perguntas.

‘Carnes’

13 Jun , 2013  

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ANC acusou a deputada da oposição, Lindiwe Mazibuko, de estar demasiado informal na sessão parlamentar. Na foto aparece a senhora com uma camisa preta e um casaco azul… Deveria ter ido de gravata?
Esta notícia fez-me lembrar a minha conversa para assistir a uma sessão parlamentar num país africano, tinha as devidas autorizações, sabia que tinha que tapar os ombros… Apesar de não estar escrito essa era a regra… E lá fui de ombros tapados… Mas o segurança olhou para mim e disse que não podia entrar… Quando perguntei a razão, disse-me com o ar mais natural do mundo ‘a senhora vem com as carnes (entenda-se parte dos braços) à mostra… Se a deixar entrar assim, não me responsabilizo pelos deputados’… E lá fui à loja chinesa mais perto e comprei um lenço que usei para cobrir as ‘carnes’. Não perdi tempo a explicar-lhe que o que ele disse era mais ofensivo para os deputados que para mim e para as minhas ‘carnes’.

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Clarice Lispector

10 Abr , 2013   Video

Lóri: uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.’ -Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres de Clarice Lispector. Roubei dum muro facebook, mas ladrão que rouba a ladrão… Consta que tem perdão.
Na Fundação Gulbenkian está uma exposição sobre a obra e vida da escritora Clarice Lispector… Numa ida à Gulbenkian espreitei a exposição, a espreitadela deixou-me ainda com mais apetite. Está no top da minha ‘to do’ lista.

Lean In: Women, Work and the Will to Lead, by Sheryl Sandberg.

19 Mar , 2013  

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‘ista’… Feminista. Sou assim chamada muitas vezes. Não tem nem um sentido negativo nem positivo. É apenas dito. É normalmente dito (por homens e mulheres… mas sim, mais por homens) com um sorriso simpático, mas condescendente. É normalmente dito quando insisto que faltam mulheres oradoras em conferências, que a opinião escrita nos nossos jornais é predominantemente masculina (basta ver a página central do Expresso com os vários senhores)… Por vezes, mulheres que estão nas conversas quando me é atirado o ‘feminista’ rapidamente adicionam à conversa ‘eu não sou feminista’… Não sei qual das posturas me irrita mais…
A autora do livro acusa as mulheres de se auto-colocarem nas reuniões com uma postura ‘Lean back’… Quando regressei a Portugal trazia uma atitude ‘Lean in’ – reconheço que, passado dois anos, talvez tenha começado ‘Lean back’. Não li ainda o livro. Não costumo ler este tipo de livros de ‘sucessos’ e de receitas para os ‘sucessos’. Desta vez vou ler. Vou ler, não para aprender o ‘Lean in’, mas para tentar não esquecer.

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Números sobre Mulheres

8 Mar , 2013  

Todos os anos, por volta do 8 de Março, várias organizações divulgam diversos tipos de estatísticas sobre as mulheres, como: as mulheres na política, a violência contra as mulheres, as mulheres e a educação… E de ano para ano espero sempre com curiosidade como vamos interpretar o baixíssimo número de mulheres na política. Não percebi ainda a regra… Mas em certos anos o crescimento de 1% da participação das mulheres na política é visto como uma desgraça, noutros anos (como este ano) é transmitido com uma grande conquista… Independentemente deste mistério de interpretações, existe já há algum tempo uma plataforma online de promoção de mulheres na política. No site pode-se encontrar informação, divulgar boas práticas, fazer network, ter acesso a dados…
Aqui fica.