Elsa Noronha – poesia de improviso

24 Fev , 2013  

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Em Lisboa, bebemos muitas vezes a bica ao lado de estátuas ou de placas com o nome de poetas e escritores, ilustres e também mortos, que outrora ali se sentaram e escreveram. É muitas vezes o turista com a máquina fotográfica que nos lembra que eles por ali passaram. São vários os lugares a pastelaria Cister com o Eça de Queirós, o Fernando Pessoa sentado na Brasileira ou nas arcadas do Martinho da Arcada, o Bocage no café Nicola… Sabe bem saber que por ali passaram mas já não estão lá.
Ontem lembrei-me destes lugares e imaginei-os com vida. Ontem, do nada e sem aviso, a poeta moçambicana Elsa Noronha, declamou poesia de improviso, poesia dela e de outros. Estava ali sentada, discreta e sossegada. Quando convencida a declamar, pediu desculpa… ‘Não vinha preparada’ disse. E ainda insistiu ‘vocês desculpem, mas estava em casa no quentinho e como tinha uma visita vim beber um copo. Desculpem não ter trazido nada.’ E do tal nada que trouxe…Saíram vários poemas e umas duas canções. Este Nada foi Muito Bom.

Marlene Dietricht

27 Jul , 2012   Video

Há muitos anos (não me recordo quando, sei que foi o ano em que se adoptou o Euro) passei a passagem de ano em Berlim. A visita tinha sido decidida num impulso de última hora, as razões eram várias: visitar pessoas amigas, celebrar o novo ano e a nova moeda em Branderburgo, mas houve uma razão especial – a cidade homenageava Marlene Dietricht.
A homenagem contemplava um concerto com a Ute Lemper. Comprei o último bilhete. E assim sozinha, vestida de ganga, rodeada de vestidos de gala, assisti a um incrível e inesquecível espectáculo. Amanhã a senhora Ute Lemper está em Guimarães. Não irei. Há certas memórias que devem ser isso mesmo – boas e únicas memórias.