Guterres, de PM de Portugal a PM do Mundo

19 Mai , 2019  

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Artigo meu publicado em co-autoria com Cristina Peres. Jornal Expresso, Portugal, Maio 2019 ( como o texto publicado é só para assinantes, deixo um dos draft e não a última versão publicada)

António Manuel de Oliveira Guterres, cidadão português, foi eleito a 13 de outubro de 2016, pela Assembleia Geral das Nações Unidas. para exercer o mais alto cargo do Governo Mundial, ou seja, Secretário-Geral das Nações Unidas.  O ex-primeiro-ministro português passou assim a ser o 9º Secretário-Geral da organização criada em 1945 após a Segunda Guerra mundial para que a paz prosperasse no mundo e não a guerra.

 

O milagre dos Twitters de Trump – a vitória da diplomacia Guterrina

A 13de outubro de 2016,quando a Assembleia Geral da ONU elegeu,por aclamação,o português,António Guterres para seu Secretário geral, o inquilino da Casa Branca era o PresidenteObama.  A eleição do novo presidente dos Estados Unidos seria 4 semanas depois. Como sabemos, na corrida eleitoral estava Donald Trump. Um republicano céptico sobre essa coisa das organizações multilaterais.  Contra amaioria das sondagens, a 8 de novembro, os americanos elegeram Trump.  O novo Presidente iria nos habituar desde do início aos seus twitters intempestivos e quase sempre polêmicos. Um dos seus primeiros Twiiters foi dirigido às Nações Unidas, deixando claro a sua ideia negativa sobre a organização e como na sua opinião era uma organização inútil – ‘que as nações unidas é clube onde as pessoas se juntam para falar”e ameaçava que mal tomasse posse ‘as coisas iriam mudar’.  O pior pesadelo para um novo Secretário-Geral da organização. Os Estados Unidos são o maior contribuinte financeiro da organização e tem o poder de influência em muitos votos na Assembleia Geral.  Mas Guterres iria conseguir um milagre ao fazer do inimigo Trump um apoiante da sua gestão. Na verdade, a mudança, apesar de Guterres ser um conhecido socialista e católico, não foi resultado de um ‘milagre’, mas sim de uma diplomacia Guterrina inteligente e sábia.   Guterres consegue o inimaginável dois anos antes. Há um ano, em maio de 2018, o Twitter emitido do telefone de Trump era de elogio às Nações Unidas ‘Se as Nações Unidas trabalharem bem os Estados Unidos poupam dinheiro’ , Trump aparece sorridente ao lado de Guterres e elogia o Secretário-Geral dizendo que Guterres está a fazer um excelente trabalho e que através dele ‘UN Will be great again’.

Guterres parece ter aplicado em Trump a receita   ‘solidariedade egoísta’ que usava nos seus discursos quando presidia a Internacional Socialista, com a qual explicava que nem todos temos que ser solidários por bondade espontânea, mas todos temos interesse em ser solidário por interesse próprio – ou seja, se os outros estiverem mal acabam por afetar o meu bem-estar.

Reformar – o verbo permanente das Nações Unidas desde 1946

As nações Unidas foram estabelecidas em 1945, e logo em 1946, a organização inicia a primeira reforma. Desde daí várias reformas foram tentadas, algumas implementadas. Quando falamos em reformas das Nações Unidas convém separar a reforma política da reforma administrativa e de gestão.

A reforma política

Na área política o Conselho de Segurança é o calcanhar de Aquiles da organização. A herança da vitória dos Aliados na II guerra Mundial, pesa ainda na estrutura dos 5 membros permanentes com poder de veto. A Alemanha e o Japão, derrotados em 1945, exigem agora integrar o Conselho com estatuto permanente. Os Ministérios dos Negócios estrangeiros dos dois países dedicam uma página a explicar por que que devem ser incluídos. O Japão é segundo maior contribuinte para as Nações Unidas, contribuindo com 20% do orçamento da organização, apenas de 2% menos que os Estados Unidos. E a Alemanha é o quarto maior. Ambos os países contestam a sua entrada. Geograficamente também vários países pedem maior equilíbrio. E a Índia, o segundo país no mundo com mais população e a maior democracia mundial, junta-se ao clube dos países contestatários da actual composição do Conselho de Segurança.

Qual a dificuldade em reformar? Reformar o Conselho de Segurança exige o voto de 2/3 da Assembleia Geral, mas qualquer reforma, não pode ter o veto de nenhum dos 5 países permanentes. E abdicar voluntariamente do poder, como sabemos, não é fácil. O Secretário-Geral nesta reforma tem apenas o poder de alguma magistratura de influência, mas muito, muito reduzida. Seja qual for o Secretário-Geral.

 

A reforma da gestão e funcionamento – transformar a cacofonia em sinfonia

 

As Nações Unidas eram uma “cacofonia” a escolha da palavra não é nossa, quem o disse, foi a nigeriana Amina Mohammed, Vice-Secretária Geral da ONU. A número 2 da ONU discursava sobre a importância da reforma e sem rodeios desabafou “o que eu dizia é que, das vezes passadas, tivemos dirigentes que, mesmo sem culpa, conduziam uma cacofonia – a mão esquerda não sabe o que a mão direita está fazendo. Hoje temos a oportunidade de fazer uma sinfonia…”

 

Mohammed referia-se sobretudo ao funcionamento das Nações Unidas dentro dos países, com as múltiplas agencias e Fundos, a trabalharem sem uma real coordenação no país.  Com mais de 15 agencias e outros tantos Fundos.

 

O pacote de reformas da gestão da ONU foi apresentado por Guterres em 2018 à Assembleia Geral e recebeu o aval da maioria dos países membros.

 

As mudanças já começaram a ser implementadas, uma delas é a mudança do papel dos 129 Coordenadores Residentes responsáveis pela atuação das Nações Unidas em 165 países. Na verdade, a reforma é que passam a ser responsáveis pela atuação de todas as Nações Unidas, e não meros ‘representantes’ do sistema das Nações Unidas. As várias agencias, como UNICEF, PNUD, OMS, passam a responder ao Coordenador residente, mantendo, no entanto, também a resposta à hierarquia da sua agência. A ideia é que a atuação das Nações Unidas para os ODS ( Ob Desenvolvimento Sustentável) sejam o centro de todo o funcionamento, de forma mais articulada e transparente. Os Coordenadores residentes deixam de acumular com a função de gestor das agencias PNUD nos países. Sem ligação a qualquer agência, pretende-se que passem a ter um papel igual em todas as entidades Nações Unidas nos países.

 

Equipas nos países mais assertivas e focadas nos conteúdos.

https://expresso.pt/internacional/2019-05-11-Guterres-de-PM-de-Portugal-a-PM-do-mundo#gs.ccbig2

 

 

 

A ‘minha’ Europa mudou, construíram muros de medo

14 Dez , 2016  

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A minha Europa mudou e não foi para melhor. O medo pode não se expressar, mas manifesta-se. Manifesta-se sobretudo em não querer os ‘outros’ – mas quem são os outros e quem somos nós? Marine Le Pen propôs esta semana que os filhos de emigrantes comecem a pagar a sua educação. O medo vai construir muros muito mais perigosos e altos do que o estúpido muro que o futuro presidente Trump quer construir entre a América e o México. O medo constrói muros entre nós e os outros, mas os outros somos nós e nós somos os outros. São muros invisíveis de ódio e medo. E, enquanto os muros de tijolos se derrubam, os muros de populismo e medo crescem e tornam-se labirintos para a humanidade. Esta Europa preocupada com o medo entre as suas fronteiras faz também com que a Europa não olhe para as outras guerras, como esta guerra em Moçambique à minha porta. Estas guerras fora da Europa não tem espaço nos noticiários europeus e se o tiverem são em pequenas notas de rodapé.

http://visao.sapo.pt/nos-la-fora/2016-12-14-A-minha-Europa-mudou-construiram-muros-de-medo

Guiné Equatorial e a CPLP

25 Fev , 2014  

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Partilho um artigo que escrevi (em 2012) com a minha aluna Inês Gonçalves. O artigo compara a CPLP, a commonwealth e a Francofonia.
‘Todas as organizações foram estabelecidas em períodos diferentes: a Commonwealth foi oficialmente constituída dois anos após a independência da sua joia da coroa, a Índia, em 1949, a Francofonia em 1970 e a CPLP em 1996…
Se as três organizações surgiram com grupos de países que tinham em comum um passado histórico, actualmente este critério parece ter deixado de ser o critério de eleição. Na Commonwealth, foi a adesão de Moçambique que veio alterar esta condição. Na Francofonia, as adesões têm nos últimos anos seguido apenas o critério do compromisso do Estado candidato em adoptar a língua francesa ou pelo menos a existência da vontade da promoção do Francês. Daí não ser estranho que a Francofonia integre países como a Bulgária, a Albânia ou Cabo Verde. No caso da CPLP, ainda é cedo para se perceber qual a tendência da organização. Até agora, manteve-se apenas com os 8 estados lusófonos, mas, na altura da redacção deste artigo, já deverá ter chegado a Lisboa a missão da CPLP que irá propor a deliberação da adesão ou não da Guiné-Equatorial.’

Ler mais aqui.

Palestina ( West Bank/Cisjordânia)

8 Ago , 2013   Gallery

Jan 1 , 2013

E pronto já estou em Ramallah.

Em Jerusalém passei para a parte árabe perguntei qual o autocarro. Entrei era a única estrangeira mas as pessoas foram super simpáticas claro tudo admirado por eu estar ali…. No controle como é na direcção da palestina e num autocarro pobre não tive problema. Veremos os próximos capítulos e o regresso a Israel . 🙂 mas para já cheguei. Para já a cidade parece normal claro com muita gente mas mais desenvolvida do que eu estava a espera.

Vou sair. E ver as gentes.

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