Olhares : Mulheres de São Tomé e Príncipe

3 Mar , 2017  

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A coleção das fotos e textos é o resultado do trabalho amador e feito apenas pelo luxo do prazer do fazer.
As fotos foram tiradas em 2016 nas duas ilhas de São Tomé e Príncipe. Os textos são semi-reais mas resultam das horas de conversas que tivemos com muitas das mulheres.
Autoras:
Claudia correia. Formada em gestão de empresas. Empresária e trabalhadora de números. Mas nas horas vagas e por paixão tira fotografias. Sobretudo gosta de fotografar pessoas tal como são.
Elisabete azevedo-harman. É politologa e professora de ciência política. Vive por países em África. Não é escritora. Não é jornalista. Mas gosta de contar estórias. Sobretudo estórias de pessoas reais e que fazem a história dos países.

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Casa Almada Negreiros – São Tomé e príncipe

3 Jan , 2017  

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Reportagem RTP sobre a Casa Almada Negreiros

No meio de São Tomé e Príncipe existe a casa onde nasceu o pintor/escritor/poeta Almada Negreiros. A casa é agora um restaurante que poderia estar em qualquer avenida de Nova Iorque. Comida fantástica. É ainda mais impressionante por ser gerida por jovens da comunidade. Merece 5 estrelas e uma sexta estrela para a vista e a calma do lugar.  Os 2 jovens sobem uns 100 degraus para trazer cada prato que apenas explicam quando todo o cliente ( só tem 4 mesas) tem a comida em frente;)

Agora é  um sítio mágico com toque romântico… de certeza bem diferente da roça onde Almada nasceu no século XIX.

Aqui fica a biografia do Almada Negreiros ( fonte Blog truca.pt)

“José Sobral de Almada Negreiros, artista plástico e escritor, nasceu em 1893 em São Tomé e Príncipe, onde o pai era administrador do concelho da cidade. Estudou no colégio jesuíta de Campolide, para onde entrou em 1900, aos sete anos de idade, após a morte prematura da mãe, em 1896, e a partida definitiva do pai para Paris nesse mesmo ano. Aí realizou os jornais manuscritos “República”, “Mundo” e “Pátria”. Após o encerramento do colégio, frequentou entre 1910 e 1911, o liceu de Coimbra, de onde passou para a Escola Nacional de Belas Artes, em Lisboa. Em 1915, integrado no grupo “Orpheu”, centrou a sua polémica ideológica numa crítica cerrada a uma geração e a um país que se deixava representar por uma figura como Júlio Dantas. Mostrando se convicto de que «Portugal há de abrir os olhos um dia», lançou, em 1917, um “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX”, precavendo as contra a «decadência nacional», em que a «indiferença absorveu o patriotismo».
Entre 1919 e 1920 retomou os estudos de pintura em Paris. De regresso a Lisboa, adquiriu uma serenidade bem expressa na sua afirmação de que «entre mim e a vida não há mal entendidos». Mas, em 1927, de novo desgostoso com a falta de abertura do país às novas correntes ideológicas e culturais, foi para Madrid. Aí, como já antes o fizera em Lisboa, a par da sua actividade nas artes plásticas, colaborou com a imprensa. Com o agravamento da crise económica e social espanhola, após a proclamação da República, Almada regressou a Lisboa, em Abril de 1932. À consciência nacional que Paris lhe trouxera acrescentava agora uma «consciência ibérica culturalmente definida por valores líricos de uma certa lusitaneidade». Em 1934, casou com a pintora Sara Afonso.
Almada Negreiros, conhecido como «Mestre Almada», colaborou nas revistas de vanguarda “Orpheu” (de que foi co fundador), “Contemporânea”, “Athena”, “Portugal Futurista” e “Sudoeste” (que dirigiu). Participou em exposições de arte, nomeadamente na I Exposição dos Humoristas Portugueses (1911), a primeira do modernismo nacional. Como artista plástico, são de realçar os seus murais na gare marítima de Lisboa, os trabalhos para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima (mosaico e pintura) e o célebre retrato de Fernando Pessoa. Pintor do advento do cubismo, a sua actividade artística estendeu se ainda à tapeçaria, à decoração e ao bailado.
Como escritor, publicou peças de teatro (“Antes de Começar”, 1919; “Pierrot e Arlequim”, 1924; e “Deseja se Mulher”, 1928); o romance “Nome de Guerra” (escrito em 1925, mas publicado apenas em 1938, e que é considerado um dos romances fundamentais do século XX português e o primeiro em que se manifesta já a arte modernista); os poemas “Meninos de Olhos de Gigante” (1921), “A Cena do Ódio” (escrito em 1915 durante a Revolução de Maio contra a ditadura de Pimenta de Castro e publicado apenas em 1923, que consiste numa descrição violenta do Portugal da época, em que se exprime uma dialéctica de amor ódio que seria a tónica dominante das relações do artista com a pátria), “As Quatro Manhãs” (1935) e “Começar” (1969); e uma série de textos de crítica e polémica, dispersos pelas publicações em que colaborava. De entre estes, destacam se o “Manifesto Anti Dantas” (1915), verdadeiro libelo de reacção ao ambiente cultural estagnado e academizante da época, o “Manifesto” (1916), o “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas” (1917) e “A Invenção do Dia Claro” (1921), conferência sob a forma de poema. A sua obra representa uma síntese, única na sua geração, das tendências modernistas e futuristas de então, não apenas por, como artista, ser multifacetado, mas também pela sua capacidade de fusão e conjugação, nas letras e na pintura, das vertentes plástica, gráfica e poética. Almada Negreiros faleceu em 1970.
Em 1970 e 1988, foram publicadas duas edições de “Obras Completas de Almada Negreiros”, comemorando a última o centenário do autor.
Artista da novidade e da provocação, em demanda de «uma pátria portuguesa do século XX», atento à busca de uma unanimidade universal e profundamente marcado pela herança e o sentido da civilização europeia, foi uma das grandes figuras da cultura portuguesa do século XX. Artisticamente activo ao longo de toda a sua vida, o seu valor foi reconhecido por inúmeros prémios.”

 

 

 

O país “a andar com passo certo para conhecer a felicidade”

12 Jul , 2016  

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Esta terça-feira, a cinco dias de mais uma eleição presidencial, os são-tomenses celebram o dia da independência nacional — foi a 12 de Julho de 1975.

Foi uma independência feita por “guerrilheiros da guerra sem armas na mão”, como se canta no hino do país escrito pela política, poeta e intelectual são-tomense Alda Espírito Santo. O hino, que repete várias vezes “independência total”, regista para a História que a soberania foi conquistada, mas sem armas. No início da década de 1970, as ideias nacionalistas chegavam ao arquipélago pela mão dos jovens estudantes que acompanhavam as notícias das descolonizações no continente africano.

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São Tomé e Príncipe – 2015

24 Jun , 2015   Gallery

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S. Tomé e Príncipe – Apresentação oficial do primeiro plano estratégico da Assembleia Nacional

20 Jun , 2015  

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A apresentação foi feita por deputados das 3 bancadas, Arlindo Barbosa Semedo Barbosa (MLSTP); Danilson Cotú (PCD) e Abnildo Do N. D’Oliveira (ADI).

Todos estiveram muito bem. Claros e sobretudo a demonstrarem que a divergência política é saudável e tem que existir, mas há assuntos que independentemente das diferenças todos podem lutam por bem comum, neste caso um melhor parlamento. (para consultar o projecto onde se enquadra a iniciativa consultar a página fb do Pro PALOP-TL)

‘Léve, léve’

15 Jun , 2015  

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Aqui nas terras de S. Tomé e Príncipe usa-se a expressão léve, léve… quem passar à pressa pode pensar que quer dizer ‘devagar, devagar’ ou parecido… mesmo os São Tomenses usam nesse sentido. Hoje uma S. Tomense aproximou-se de mim depois de eu ter usado a expressão com o sentido de ‘sem pressa’ e muito leve, leve disse-me baixinho ‘léve, léve’ não é isso… e deu-me uma lição.

Disse-me leia o poema da Alda Espirito Santo e vai perceber o que é o nosso léve, léve… não consigo encontrar o poema. Mas o cantor S. Tomense Kalú Mendes tem uma música com base no poema e depois de ouvir, percebi o quanto errada estava! Léve, léve é o que o poema diz e é esta definição do poema que combina com o povo e o país que eu tenho visto. Léve, léve não é correr à toa.. É andar com passo certo para conhecer a felicidade ….

Logo Paga!

8 Jun , 2015  

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São Tomé e Príncipe.
Episódio 1 ‘Logo paga!’. Ontem aterrei em São Tomé, às 4h da manhã, e lá fui para a sala onde se pede e paga o visto… O funcionário cortês perguntou se a viagem tinha corrido bem e depois, obviamente pediu o dinheiro ‘são 80 dólares’. Abri a carteira e contei e recontei os euros e nem metade do valor tinha. Em pânico, desabafei que não tinha dinheiro. O homem olhou-me e depois disse com pena e espanto, ‘então não sabia o preço?’. Corada e a gaguejar lá expliquei que pensei que eram 25 euros. E mentalmente já me preparava para o pior – ou seria devolvida ou iria ali ficar sentada e abandonada num banco até os escritórios abrirem. Mas não. O senhor perguntou o que vinha fazer e eu expliquei e para meu espanto disse ‘logo paga, vá lá descansar e fazer o que tem a fazer e depois passa cá’… Eu nem consegui dizer o educado ‘desculpe’ disse mesmo o ‘ah?’!
Pois tive fiado… Uma palavra que está cada vez mais em desuso, antigamente as mercearias tinham o livro do fiado onde ficava registado o que o cliente (e família) ia comprar e depois lá para o final do mês ou quando o dinheiro aparecesse lá se ia pagar…
Nos anos 90, o politólogo americano escreveu um livro sobre Capital Social ‘bowling alone’. Putnam chamava atenção para a perda de capital social (confiança) entre os americanos era nociva para a sociedade. Pois podemos dizer que tive ‘fiado’ mas também podemos dizer que nestes países pequenos ainda existe um elevado ‘capital social’ que muitas vezes é mal-entendido e não usado como uma vantagem para o seu desenvolvimento.
Já tinha escrito que em Cabo Verde os taxistas dão fiado logo na primeira viagem… Como se fosse natural existir o ‘paga depois’… Na maioria do mundo isto já não existe… Ou se existe é através dos cartões de crédito que estão longe de ser qualquer forma de capital social. E escrevo isto a comer um almoço fiado porque ainda não tenho a moeda local (Dobra)… Também é verdade que fugir duma ilha é mais difícil.

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